A economia ucraniana, devastada pela invasão russa, poderá diminuir até 35% este ano, se a invasão se tornar um conflito prolongado, alerta o Fundo Monetário Internacional (FMI) numa notícia avançada pelo “The Guardian” A entidade estimou, numa primeira avaliação, que a perda de vidas, os danos em infraestruturas criticas, a perturbação do comércio e a de refugiados fariam com que a perda mínima do Produto Interno Bruto (PIB) de 10% em 2021.
O fundo relembrou, no entanto, que a experiência de outros países que foram afetados pelas recentes guerras, como o Iraque e a Síria, sugerem que o impacto pode vir a ser muito mais severo.
Na semana passada o FMI anunciou que iria criar um pacote de apoio financeiro para ajudar o país a lidar com os crescentes custos financeiros inerentes à guerra, no valor de 1.400 milhões de dólares.
No relatório da instituição está escrito que “embora as tensões geopolíticas com a Rússia já tivessem reduzido o acesso da Ucrânia aos mercados, a escalada para uma invasão da Ucrânia pela Rússia e uma guerra a 24 de fevereiro alterou drasticamente as perspetivas da Ucrânia”.
“Espera-se uma recessão profunda e grandes custos de reconstrução, num cenário de crise humanitária. Com a guerra em curso, a situação permanece extremamente fluida, e qualquer previsão está nesta fase sujeita a uma enorme incerteza”.
O relatório refere ainda que a Ucrânia enfrentou um choque humanitário “massivo”, com indícios de perda de vidas e destruição de infraestruturas consideráveis em todo o país.
O FMI admitiu existir uma “enorme incerteza” sobre os efeitos económicos da guerra, mas disse que em vez de prever um crescimento de 3,5% este ano, esperava agora uma recessão profunda. A previsão de uma queda de 10% do PIB baseou-se num fim rápido da luta e da ajuda financeira dos organismos doadores.
“Dados sobre a contração real do PIB em tempo de guerra (Iraque, Líbano, Síria, Iémen) sugerem que a contração anual da produção pode eventualmente ser muito maior, no intervalo entre 25 e 35%”.
O anterior conflito entre a Ucrânia e a Rússia, que envolveu a anexação da Crimeia por Moscovo, levou a que a economia da Ucrânia diminuísse 6,6% em 2014 e mais 10% em 2015. O FMI acredita que os riscos de desvantagem são “excessivamente” elevados e quanto mais tempo a guerra continuar, mais provável é que a Ucrânia sofra o tipo de perdas da magnitude das sofridas noutros países afetados pelos conflitos.
O FMI estima que não só a Ucrânia vai registar perdas. A Rússia também sofrerá uma profunda recessão e fornecerá uma estimativa do impacto na produção nas suas perspetivas económicas mundiais, previsto para o próximo mês.
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