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Crédito Agrícola sobe 83% os lucros para 158,8 milhões e eleva soma do setor para 1,7 mil milhões

O banco liderado por Licínio Pina é o último dos maiores bancos a apresentar contas anuais. Os sete maiores bancos lucraram assim 1.676,6 milhões de euros em 2021. O banco vocacionado para a agricultura atingiu uma rentabilidade de capitais próprios consolidados (ROE) de 8,1%, “reflexo do desempenho das diferentes componentes do Grupo”.
21 Março 2022, 12h14

O Grupo Crédito Agrícola alcançou um resultado líquido de 158,8 milhões de euros no ano de 2021 valor que representa um crescimento de 82,9% face ao período homólogo e de 20,8% comparativamente a 2019, num contexto de pré-pandemia.

O banco liderado por Licínio Pina é o último dos maiores bancos a apresentar contas anuais. Os sete maiores bancos – CGD, BCP, Novobanco, BPI, Santander Totta, Montepio e Crédito Agrícola – lucraram assim 1.676,6 milhões de euros em 2021.

“O negócio bancário contribuiu com 143,3 milhões de euros” para os resultados do Crédito Agrícola, “correspondendo a um crescimento homólogo de 109,1%”. Destes 143,3 milhões, cerca de 76 milhões de euros resultaram da reversão de imparidades e provisões.

O banco vocacionado para a agricultura reporta assim uma rentabilidade de capitais próprios consolidados (ROE) de 8,1%, “reflexo do desempenho das diferentes componentes do Grupo, incluindo os contributos dos resultados líquidos de 6,1 milhões de euros da CA Vida e de 5,8 milhões de euros da CA Seguros”.

A margem financeira caiu 1,7% para 313 milhões de euros. Ao contrário, a margem técnica dos seguros subiu 77,8% para 66,3 milhões. As comissões também caíram, -2% para 123,4 milhões de euros. Os resultados de trading registaram também uma queda significativa de 33,6% para 63 milhões. Mas ainda assim o Produto Bancário ficou 0,1% acima de 2020, fixando-se em 569,9 milhões de euros.

“O produto bancário permaneceu estável, com um ligeiro acréscimo de 0,6 milhões de euros, ou 0,1%, em comparação com o período homólogo, para 569,9 milhões de euros, resultado da combinação do crescimento da margem técnica da actividade seguradora (crescimento homólogo de 29,0 milhões de euros) e dos outros resultados de exploração (+11,6 milhões de euros face a 2020), com o decréscimo da margem financeira (-5,6 milhões de euros em comparação com 2020) e, sobretudo, dos resultados de operações financeiras (-31,8 milhões de euros face ao período homólogo)”, explica o banco.

Os custos de estrutura subiram 2,2% para 372,7 milhões de euros. “Este acréscimo foi impulsionado pelos custos com pessoal (+2,3%, ou +5,0 milhões de euros) e pelos gastos gerais administrativos (+2,1% ou +2,3 milhões de euros), ambos por comparação com o ano anterior”, o banco justifica com o investimento na digitalização e com a necessidade de resposta aos crescentes requisitos regulamentares.

O rácio de eficiência piorou em 2021 para 65,4% (+1,3 p.p. do que em 2020).

Já o custo com imparidades recuou 102,9% face a 2020, para 4,3 milhões de euros. O banco, em comunicado, explica que, em 2021 “as imparidades e provisões do exercício resultaram numa reversão líquida de 2,2 milhões de euros, o que compara com um reforço de imparidade líquida de 73,6 milhões de euros verificado em 2020, resultando numa redução de 75,8 milhões de euros face a 2020”. O que se justifica essencialmente “por uma diminuição de 21,7 milhões de euros em provisões do exercício, na sua maioria relacionado com compromissos e garantias concedidos e com provisões genéricas para cobertura de risco de crédito de activos imobiliários detidos”;  por uma diminuição de 5,7 milhões de euros nas imparidades na carteira de títulos decorrente da actualização dos cenários macroeconómicos e consequente desagravamento de parâmetros de risco face a 2020; por uma diminuição das imparidades específicas de crédito em 49,6 milhões de euros justificada pela redução do peso da exposição de crédito em nível de risco 3 (stage 3), em concreto de 7,1% em dezembro de 2020 para 6,2% em dezembro de 2021, observando-se, igualmente, a anulação de créditos considerados irrecuperáveis; e em sentido contrário, um reforço das imparidades de outros activos no montante de 1,2 milhões de euros”.

Durante o ano de 2021, o custo do risco de crédito ficou em 0,04%. A diminuição de 44 pontos base neste indicador resulta da redução expressiva das imparidades específicas de crédito constituídas durante o exercício.

O Crédito Agrícola destaca ainda que “os resultados registados nos veículos de desinvestimento imobiliário (nomeadamente via desvalorização de unidades de participação) penalizaram os resultados consolidados em 12,0 milhões de euros, o que traduz uma evolução desfavorável de 34,4% correspondente a 3,1 milhões de euros, face ao período homólogo”.

No balanço, a carteira de crédito (bruto) a clientes do grupo – incluindo papel comercial no valor de 406 milhões de euros em 2021, o que compara com 350 milhões de euros em 2020 – apresentou um crescimento de 4,8% para 11,7 mil milhões de euros, correspondendo a um incremento de 537 milhões de euros. “Este valor reflecte a dinâmica comercial do Grupo Crédito Agrícola bem como o apoio prestado à economia nacional, num contexto económico-social severo. A quota de mercado em crédito concedido a clientes aumentou 10 pontos base, em termos homólogos, para 5,8%”.

Em termos líquidos, o Grupo Crédito Agrícola captou, em 2021, cerca de 4 mil clientes empresas e mais de 74 mil clientes particulares, incluindo o contributo positivo do moey!, lançado em 2019 para reforçar a presença nos mercados urbanos e jovens.

No final de Dezembro de 2021, o activo total do Grupo Crédito Agrícola ascendia a um montante de 26,1 mil milhões de euros, dos quais 11,7 mil milhões de euros correspondem à carteira de crédito (bruto) a clientes.

Do outro lado do balanço, os recursos de clientes sob a forma de depósitos bancários totalizavam aproximadamente 19,2 mil milhões de euros, registando um crescimento de 12,8% face ao período homólogo, correspondente a 2,2 mil milhões e “proporcionando um aumento de quota de mercado de 8,0% para 8,2%”.

“Num período que foi ainda caracterizado pela incerteza, este crescimento demonstra a confiança depositada pelos clientes no Grupo CA”, refere o grupo liderado por Licínio Pina.

Tendo-se verificado um crescimento dos recursos de clientes (+2.189 milhões de euros) superior ao do crédito (líquido) concedido a clientes (+590 milhões de euros), o rácio de transformação prosseguiu na sua trajectória de redução, atingindo 59,2% no final de Dezembro de 2021, o que compara com 63,4% em Dezembro de 2020, um decréscimo de 4,1 p.p., refere a instituição.

No final do ano, do total de moratórias expiradas no Crédito Agrícola, no valor de 2.892 milhões de euros, 93,7% retomaram o plano de pagamento original e 87,9% encontram-se em situação regular (ou seja, classificados em stages 1 e 2).

Em termos de qualidade da carteira de crédito, o Grupo Crédito Agrícola reporta um rácio bruto de Non Performing Loans (NPL) de 7,2% em Dezembro de 2021, registando uma evolução favorável de 0,9 p.p. face aos 8,1% verificados no final de 2020. O rácio de cobertura por imparidades é mais baixo que o dos concorrentes e está em 40,6%.

“As imparidades de Non Performing Loans acumuladas, com referência ao final de 2021, ascendiam a 267,2 milhões de euros, valor que confere um nível de cobertura de NPL por imparidades de NPL de 32,6% e uma cobertura de NPL por imparidades de NPL e colaterais (FINREP) – aplicando haircuts e custos de recuperação – de 87,6% (ou um rácio de 133,5% não considerando o limite de exposição por contrato). O rácio Texas, determinado pelo quociente entre o stock de NPL e a soma dos capitais próprios tangíveis com o stock de imparidades, fixou-se nos 36,2% no final de Dezembro de 2021”, lê-se no comunicado.

O rácio de crédito reestruturado sobre o total da carteira está em 6,1% abaixo do rácio de 7,4% em 2020.

“Os níveis de solidez e liquidez do Grupo Crédito Agrícola mantêm-se acima dos níveis mínimos recomendados, tendo sido reportados rácios CET1 e de fundos próprios totais de 17,6% (excluindo resultado líquido do período), um rácio de alavancagem de 8,0%, um rácio de cobertura de liquidez (LCR) de 477,2% e um rácio de financiamento estável (NSFR) de 173,1%”, detalha o Crédito Agrícola.

O grupo lembra que a emissão inaugural de dívida social sénior preferencial, no valor de 300 milhões, permitiu ao Crédito Agrícola cumprir a meta intermédia vinculativa do requisito de MREL TREA em 1 de Janeiro de 2022 (19,09%), com uma margem de 303 pontos base.

Em Julho de 2021, o Crédito Agrícola passou a atribuir uma notação ambiental e social aos seus clientes empresariais, anuncia o grupo. “Por um lado, esta notação contribui para uma melhor preparação dos Clientes para as actuais exigências ambientais e sociais, por outro permite ao Crédito Agrícola identificar, de forma mais precisa, produtos financeiros que possam incentivar os clientes e contribuir para acelerar o alinhamento dos seus modelos de negócio com a descarbonização da economia nacional”, explica a instituição.

“Através da implementação de uma estratégia coordenada entre as 75 Caixas de Crédito Agrícola Mútuo que o compõem, o Grupo CA prossegue comprometido na dinamização da economia das regiões, cidades e vilas portuguesas, bem como em contribuir para a coesão social e territorial de Portugal”, destaca o banco.


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