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Wall Street: guerra na Ucrânia continua a condicionar o mercado

Mais um dia de fortes quedas dos principais índices de referência voltam a envolver o mercado num ambiente pesado. As mexidas nas taxas de juto por parte da Reserva Federal serão, acreditam os investidores, mais radicais que o previsto.
Reuters
31 Março 2022, 21h31

Os principais índices de ações dos Estados Unidos caíram ao longo da sessão desta quinta-feira para fecharem o primeiro trimestre com a maior queda trimestral em dois anos, num contexto em que persistem grandes temores sobre o conflito na Ucrânia e o seu efeito devastador na inflação – que obrigará, já todos o interiorizaram, a respostas severas da parte da Reserva Federal (Fed).

Embora o otimismo sobre um possível acordo de paz entre a Ucrânia e a Rússia tenha ajudado a elevar os negócios no início da semana, as esperanças rapidamente se evaporaram, acumulando com a recusa do presidente da Rússia, Vladimir Putin, em continuar a cumprir os contratos de fornecimento de um terço de seu gás à Europa se as contas não passarem a ser pagas em rublos.

Os Estados Unidos impuseram novas sanções à Rússia, e o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, lançou a maior liberação de todos os tempos da reserva estratégica de petróleo do país, ao mesmo tempo que desafiou as empresas petrolíferas a perfurar mais, numa tentativa de reduzir os preços.

Ao mesmo tempo, a OPEP+, onde a Rússia tem lugar, recusou um aumento exponencial da produção a partir de maio, ficando-se por um ajustamento que os analistas consideram genericamente tímido e muito longe dos mínimos para surtir o efeito desejado.

Neste contexto, os investidores de Wall Street retraíram-se e os negócios tiveram um dia para esquecer. O Dow Jones Industrial Average caiu 550,46 pontos, ou 1,56%, para 34.678,35 pontos; o S&P 500 perdeu 72,04 pontos, ou 1,57%, para 4.530,41 pontos; e o Nasdaq Composite caiu 221,76 pontos, ou 1,54%, para 14.220,52 pontos.

À medida que os preços aumentam, é cada vez mais provável que a Fed se torne mais agressivo no aumento das taxas de juros para combater a inflação, reduzindo potencialmente o crescimento económico.

Os dados divulgados na quinta-feira mostraram que os preços ao consumidor mal subiram em fevereiro, com a intensificação das pressões sobre os preços, enquanto o consumo, excluindo alimentos e energia, aumentaram 0,4%, em linha com as expectativas.

“Os número que saíram, os preferidos da Fed, embora tenham acertado no alvo, foram mais ligeiros que no mês passado, mas a sensação é que continuarão a subir”, disse Ken Polcari, da Kace Capital Advisors, citado pela agência Reuters. “Isso só consolida a posição do presidente da Fed Jay Powell e a posição do banco no sentido de serem mais agressivos: haverá vários aumentos de 50 pontos base”, vaticinou.

Embora o índice S&P tenha sofrido o pior trimestre desde que a pandemia estava em plena recuperação já em 2020, mas a guerra na Ucrânia parece ter deitado tudo a perder. No trimestre, o S&P 500 caiu 4,9%, o Dow perdeu 4,6% e o Nasdaq recuou 9,1%.

Os investidores vão agora olhar para o relatório do desempregos de sexta-feira para confirmação da força do mercado de trabalho e sobre o possível caminho da política monetária pelo banco central.


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