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Fernando Medina defende currículo de Sérgio Figueiredo e lamenta não poder contar com o seu “valioso contributo” (com áudio)

“Lamento pois não poder contar com o valioso contributo de Sérgio Figueiredo ao serviço do interesse público”, disse hoje o ministro das Finanças depois de o ex-jornalista ter anunciado que iria desistir do cargo que lhe iria garantir um salário mensal de 5.800 euros mensais brutos durante dois anos.
17 Agosto 2022, 09h38

O ministro das Finanças veio hoje a público lamentar a decisão de Sérgio Figueiredo de renunciar ao cargo de consultor na sua tutela.

“Lamento profundamente a decisão anunciada por Sérgio Figueiredo, mas compreendo muito bem as razões que a motivaram. Considero que a melhoria da qualidade da decisão através do contacto regular e informado com os principais agentes económicos e sociais do país é uma necessidade específica do Ministério das Finanças, que acrescenta às avaliações já desenvolvidas por outros organismos públicos”, disse hoje Fernando Medina em comunicado.

“Sérgio Figueiredo reúne excelentes condições para desempenhar tais funções. A sua formação em economia; a experiência de quase três décadas como jornalista e diretor de diversos órgãos de comunicação social, incluindo dois jornais económicos – tendo-se afirmado nessa qualidade como um dos mais destacados analistas nacionais de política económica; e a liderança de cerca de sete anos e meio de uma fundação nacional conferem-lhe experiência e qualificações que o distinguem”, acrescenta o ministro.

“Lamento pois não poder contar com o valioso contributo de Sérgio Figueiredo ao serviço do interesse público”, rematou.

Sérgio Figueiredo anunciou hoje que desistiu do cargo no ministério das Finanças. O ex-jornalista anunciou que vai renunciar ao cargo de consultor depois de ter sido convidado por Fernando Medina.

“Não há outra forma de o dizer: desisto. Ficou insuportável tanta agressividade e tamanha afronta, tantos insultos e insinuações. Não tolero estes moralistas sem vergonha, analistas sem memória. Vergo-me aos assassínios de caráter, atingido pela manada em fúria, ferido por um linchamento público e impiedoso. É lixado desistir”, escreve Sérgio Figueiredo em artigo de opinião no “Jornal de Negócios”.

Sérgio Figueiredo iria ser consultor estratégico para a avaliação e monitorização do impacto das políticas públicas da tutela de Fernando Medina durante 24 meses com um salário mensal bruto de 5.800 euros, acima do auferido pelo seu chefe, o ministro das Finanças.

O antigo presidente da Fundação EDP e ex-diretor de informação da TVI disse que com a sua saída não vai ter lugar qualquer conflito de interesse.  “Não vai acontecer qualquer conflito. Perdi o interesse. Ou a vontade de o ter. Não sei o que é pior“.

Sérgio Figueiredo admite que foi apanhado “desprevenido” com a “indignação tão generalizada e profunda” gerada que compara-a com a revelação de uma “terrível ilegalidade”.

“A desfaçatez ultrapassou todos os limites, mas ninguém ousou acusar este processo de estar ferido de qualquer ilegalidade ou irregularidade”, acrescentou.

“Sempre vivi do meu trabalho. Ou, pelo menos, pensava eu que era simplesmente isto”, destacou.

“Foi tudo feito às escondidas? Foi descoberto o recurso a expedientes e outras formas menos transparentes, como tantas e tantas vezes tivemos notícia? O contrato estava camuflado por uma empresa desconhecida, foi ficticiamente celebrado com uma outra entidade pública, para disfarçar, como aliás aconteceu com outros consultores estratégicos contratados por outros governos?”, escreveu no “Negócios”.

“Para uns servi de alvo, para outros fui um meio para atingirem outros fins. É o fim. Não estou para isto! Demagogia à solta, alimento à turba. Eles vencem e eu desisto”, concluiu.

Sérgio Figueiredo iria ganhar mais que o ministro das Finanças: um salário mensal de 5.80o euros brutos. Este valor fica acima dos cerca de 4.800 euros brutos que foram anunciados inicialmente e que é o salário base de um ministro, e de Fernando Medina, que vai ser o chefe de Sérgio Figueiredo.

Em 24 meses, a duração do contrato, Sérgio Figueiredo vai receber um total de 140 mil euros para aconselhar Medina na avaliação e monitorização do impacto das políticas públicas.

A contratação de Sérgio Figueiredo tem sido bastante criticada por vários partidos políticos. A Iniciativa Liberal chegou mesmo a recordar que “Sérgio Figueiredo contratou Fernando Medina para comentador televisivo [na TVI], onde se assistiu ao cúmulo de comentar ou evitar comentar casos onde estava envolvido como presidente da Câmara Municipal de Lisboa”. “Agora Medina contrata Sérgio. É o comentador contratado a contratar o contratador”, segundo o deputado Rodrigo Saraiva.

Economista de formação, Sérgio Figueiredo foi diretor do Diário Económico e do Jornal de Negócios. Em 2007, foi nomeado presidente da Fundação EDP, tendo acumulado depois o cargo de administrador da EDP Produção durante dois anos. Entre 2015 e 2020 foi diretor de informação da TVI.


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