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Líbia: Rebeldes juntam-se ao governo no cessar-fogo

Num cenário onde, diz a ONU, as potências estrangeiras estrangeiras têm alimentado as dissidências, as duas partes em conflito aceitaram o plano de paz patrocinado pela Rússia e Turquia.
12 Janeiro 2020, 19h32

O leste e oeste da Líbia, os dois lados de frente de combate ativa há mais de nove meses, aceitaram neste sábado o cessar-fogo proposto quarta-feira pelo presidente russo Vladimir Putin pelo seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan. O cessar-fogo foi primeiramente assumido em Trípoli pelo governo da Unidade Nacional, apoiado pela ONU, e mais tarde pelo chamado Exército de Libertação Nacional, sob as ordens do homem forte do leste da Líbia, marechal Jalifa Hafter, 76 anos, apoiado pelos Estados Unidos, entre outros.

O marechal estava a tentar tomar Trípoli desde abril, mas a guerra havia chegado a um impasse, com mais de 1.500 mortes e sem que Hafter conseguisse avançar, apesar de contar com a presença no terreno de mercenários russos. A 6 de janeiro, conseguiu conquistar o bastião de Sirte, uma posição estratégica de importância vital no norte do país.

Dias antes, Erdogan conseguiu que o Parlamento turco aprovasse o envio de soldados regulares para a Líbia. Um acordo entre Erdogan e Putin foi suficiente para Hafter – que inicialmewnte não queria um cessar-fogo antes de tomar a capital – e o governo de Trípoli aceitarem o que o resto da comunidade internacional não conseguiu alcançar.

A União Europeia está fora deste jogo no norte de África – apesar dos esforços do governo de Roma em ser parte da solução. A chanceler alemã Angela Merkel tentou convocar uma reunião na Alemanha entre as duas partes em litígio (juntamente com a ONU), mas depois de vários meses sem resposta, ‘esqueceu’ o assunto.

Merkel encontrou-se com Putin no sábado passado em Moscovo e o presidente russo declarou que a conferência promovida pela Alemanha seria um “passo na direção certa”, mas o passo principal, que é a cessação das hostilidades, só foi dado sob a pressão de Putin e Erdogan.

A Turquia e o governo de unidade de Trípoli assinaram dois acordos importantes no final de novembro. Por um lado, Erdogan anunciou o envio de soldados regulares para apoiar o governo da Líbia. Por outro lado, a Turquia conseguiu uma nova demarcação das fronteiras marítimas das suas zonas económicas exclusivas.

Esse novo desenho de fronteira, não reconhecido pela União Europeia ou pela ONU, permitiria à Turquia realizar exploração de hidrocarbonetos em águas pertencentes à Grécia e Chipre. Em protesto contra o acordo, o governo grego expulsou o embaixador da Líbia de Atenas. A Grécia recebeu total apoio da União Europeia.

A União Europeia também está dividida pelo conflito na Líbia. Enquanto a Itália apoia o Governo da Unidade, a França apoia Hafter – que tem no Egito e nos Emirados Árabes Unidos os seus principais apoios no mundo islâmico. Para além da Turquia, o Governo da Unidade Nacional recebeu ajuda do Catar e, acima de tudo, da Turquia.

O enviado especial da ONU para a Líbia, o libanês Ghassan Salamé, queixou-se em inúmeras ocasiões como é difícil alcançar um cessar-fogo enquanto as potências estrangeiras contribuem para quebrar o embargo às armas decretado pela ONU. Esse é, aliás, um dos motivos por que os analistas internacionais afirmam terem fortes dúvidas sobre a ‘sobrevivência’ deste cessar-fogo.


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