As moratórias de crédito a empresas terminaram em dezembro de 2021, mas o rácio de crédito vencido continua a apresentar valores muito reduzidos, diz o Banco de Portugal (BdP).
O rácio de crédito vencido face ao total de empréstimos a empresas continuou a diminuir após
o início da pandemia, situando-se em 2,3% no final de 2021.
“As moratórias de crédito possibilitaram a prorrogação dos pagamentos junto das instituições credoras, sem que tal originasse qualquer incumprimento contratual. Esta medida foi introduzida em março de 2020, tendo terminado em dezembro de 2021. A proporção de empréstimos a sociedades não financeiras [empresas] em moratória manteve-se relativamente estável, atingindo o máximo de 34,1% do montante total (22,9% do número de devedores) em setembro de 2020”, refere o supervisor da banca.
“Em dezembro de 2021, cerca de 30% do montante total de empréstimos bancários a sociedades não financeiras esteve em algum momento em moratória e 12% tem associado uma garantia pública concedida entre 2020 e 2021”, lê-se no documento. Nestes 12%, uma vez que há garantia pública, não há risco para a banca.
O Boletim Económico de Maio refere mesmo que “os empréstimos com garantia pública aparentam ter níveis de risco reduzidos, refletindo os critérios de elegibilidade para este financiamento. Em contraste, os empréstimos que tiveram moratórias têm níveis de risco médio superiores por comparação com a carteira total. Para estes, a informação, ainda limitada para o período pós-moratória, apenas aponta para um crescimento no incumprimento associado à probabilidade de não cumprir com o plano de pagamentos”.
O Banco de Portugal refere que os empréstimos a empresas que estiveram em moratória podem ter um risco de crédito acrescido por estarem associados a empresas mais afetadas pela pandemia. No entanto, o BdP diz que a informação, ainda limitada para o período pós-moratória, apenas aponta para um crescimento no incumprimento associado à probabilidade de não cumprir com o plano de pagamentos e sublinha que o rácio de crédito vencido para estes empréstimos continua a apresentar valores muito reduzidos.
O montante de empréstimos em incumprimento continuou a diminuir (7,8% em dezembro de 2021), registando um valor inferior no segmento dos empréstimos com garantia pública (1,8%), mas um rácio superior no segmento dos empréstimos que tenham estado em algum momento em moratória (11,5%), revela o regulador da banca.
“Neste contexto é importante analisar o crédito vencido e em incumprimento. O montante de crédito vencido corresponde ao capital do empréstimo não amortizado nas datas previstas. Para efeitos desta análise, o montante em incumprimento corresponde a todo o montante em dívida associado a um empréstimo classificado pela instituição bancária como em incumprimento por não estar a cumprir com o plano de pagamentos há mais de 90/180 dias ou por haver probabilidade de não cumprir com esse plano”, realça o BdP.
A percentagem de empréstimos classificada em incumprimento segundo este critério era, no final de 2021, 9,3% nos empréstimos que tinham tido moratória e 4,7% nos empréstimos totais. Por outro lado, o montante de empréstimos em incumprimento devido a não estar a cumprir com o plano de pagamentos continuou a ser superior para o total (3,0%) face aos segmentos das moratórias (2,2%), revela a análise.
As moratórias de crédito foram introduzidas em março de 2020, tendo terminado em dezembro
de 2021. A proporção de empréstimos em moratória manteve-se relativamente estável, atingindo
o máximo de 34,1% do montante total (22,9% do número de devedores) em setembro de 2020. A percentagem foi mais elevada no setor do alojamento e restauração. São dados do Boletim Económico de maio, do BdP.
O Banco de Portugal detalha que os empréstimos com garantia pública contribuíram significativamente para o aumento dos novos empréstimos em 2020, com destaque para os meses entre maio e setembro. Nesse ano, os novos empréstimos com garantia pública representaram cerca de 47% do montante total dos novos empréstimos com maturidade superior a um ano, e mais de metade dos novos empréstimos nos setores no alojamento e restauração (64%), no comércio e indústria transformadora (61% e 60%, respetivamente) e nas médias e pequenas empresas (55% e 61%, respetivamente).
“Em particular, os bancos aumentaram o crédito que consideram que será de improvável cumprimento integral no segmento dos empréstimos que tinham tido moratória”, constata o BdP.
A redução dos novos empréstimos com garantia pública ao longo de 2021, associada à redução do montante disponibilizado e critérios mais restritivos, em particular, a orientação para setores mais afetados, contribuiu para a desaceleração progressiva dos empréstimos totais durante o ano, conclui o BdP.
Em 2021, cerca de 16% dos novos empréstimos tiveram garantia pública, com destaque novamente para os setores do alojamento e restauração (33%) e indústria transformadora (39%), lembra o supervisor bancário. Assim, o saldo de empréstimos bancários às empresas, que se vinha a reduzir antes da pandemia, aumentou 6,1% e 1,8%, em termos homólogos em dezembro de 2020 e dezembro de 2021, respetivamente.
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