No ano passado tinha anunciado que não queria continuar à frente da Fundação CCB.
Em abril foi reconduzido para mais um mandato. O que o fez mudar de ideias?
Eu já vou tendo uma certa idade e aprendi uma coisa na vida: nunca dizer nunca. Tinha, realmente, manifestado essa minha intenção de sair ao fim do segundo mandato.
Considerava que a minha missão estava completa, cumprida, e tinha alguns planos, ao fim de 42 anos de serviço público, para fazer outras coisas. Mas há sempre acasos na história e a história é muitas vezes feita pelos acasos.
O que significa para si missão cumprida no CCB?
Nunca está cumprida. Eu estou a dizer a minha missão específica, aquilo que eu me propus fazer. Acontece que, ao formar-se o novo Governo, o Pedro Adão e Silva entra para ministro da Cultura, que me surpreendeu muito e é uma pessoa que eu conheço há muitos anos. É um jovem, por quem tenho uma estima muito especial e uma amizade muito grande. E o ministro interpelou-me e colocou-me a questão de continuar por mais um mandato, uma vez que ele tinha confiança e queria que eu prosseguisse a minha missão, que completasse aquilo que estava por completar e, por outro lado, tivesse que enfrentar situações que vieram depois a suceder relativamente a dossiês complexos que nós vamos ter de gerir.
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