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“Fundação CCB deveria estar mais livre da governamentalização”

Há seis anos à frente da Fundação CCB – e com mais três pela frente – Elísio Summavielle sente que ainda há metas por atingir. Nenhuma delas pequena, como conta em entrevista ao Etc. Garantir a sustentabilidade económica da Fundação, abri-la estatutariamente (e financeiramente) aos privados e, assim, reduzir a dependência face ao Estado são as principais. E, de permeio, lidar com o seu “segundo emprego”: ser o fiel depositário das obras de arte de Joe Berardo arrestadas pela Justiça. Um mundo de trabalho pela frente.
16 Julho 2022, 18h00

No ano passado tinha anunciado que não queria continuar à frente da Fundação CCB.
Em abril foi reconduzido para mais um mandato. O que o fez mudar de ideias?
Eu já vou tendo uma certa idade e aprendi uma coisa na vida: nunca dizer nunca. Tinha, realmente, manifestado essa minha intenção de sair ao fim do segundo mandato.

Considerava que a minha missão estava completa, cumprida, e tinha alguns planos, ao fim de 42 anos de serviço público, para fazer outras coisas. Mas há sempre acasos na história e a história é muitas vezes feita pelos acasos.

O que significa para si missão cumprida no CCB?
Nunca está cumprida. Eu estou a dizer a minha missão específica, aquilo que eu me propus fazer. Acontece que, ao formar-se o novo Governo, o Pedro Adão e Silva entra para ministro da Cultura, que me surpreendeu muito e é uma pessoa que eu conheço há muitos anos. É um jovem, por quem tenho uma estima muito especial e uma amizade muito grande. E o ministro interpelou-me e colocou-me a questão de continuar por mais um mandato, uma vez que ele tinha confiança e queria que eu prosseguisse a minha missão, que completasse aquilo que estava por completar e, por outro lado, tivesse que enfrentar situações que vieram depois a suceder relativamente a dossiês complexos que nós vamos ter de gerir.

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