Amber Heard, que está a ser processada por difamação por ter afirmado num artigo do “The Washington Post”que foi vítima de violência doméstica por parte de Johnny Depp, relata agora a sua versão dos factos e afirma que, no início do “mágico” romance, o ex-marido era gentil, atencioso, generoso e engraçado, até que emergiu aquilo que descreve como o seu lado “assustador”.
“Ele era o amor da minha vida. Mas era também esta outra coisa. A outra coisa era horrível”, disse Amber Heard.
O julgamento que coloca as duas celebridades em confronto entrou numa nova fase, depois de os advogados do ator terem terminado as suas alegações.
Ao longo de 13 dias, mais de duas dezenas de testemunhas chamadas pelos advogados de Depp foram ouvidas em tribunal, incluindo o próprio ator, e várias testemunharam sobreas viviências do ex-casal.
Minutos depois de os advogados de Depp encerrarem o caso na terça-feira, a defesa da atriz pediu que o processo contra Heard, no qual Depp exige 46 milhões de euros à ex-mulher por difamação, fosse arquivado, argumentando que o ator não conseguiu provar que foi difamado. A juíza negou o arquivamento por considerar que as provas apresentadas são suficientes para permitir que o caso prossiga. De acordo com o jornal “The Guardian”, perante a decisão da juíza Penney Azcarate, começaram a ser ouvidas as testemunhas chamadas pela defesa de Amber Heard, sendo a primeira Dawn Hughes, especialista em violência interpessoal.
No banco das testemunhas, Hughes fez uma descrição da alegada violência de Johnny Depp contra Amber Heard, afirmando que, em consequência da “violência íntima pelo senhor Depp”, a atriz desenvolveu stress pós-traumático. A especialista fez uma “avaliação objetiva” de Herd de mais de 21 horas, consultou registos médicos, notas de tratamentos psicológicos, testemunhos do caso de difamação no Reino Unido e falou com a mãe da atriz.
Segundo Hughes, Heard tinha “sintomas claros” consistentes com violência interpessoal “caracterizada por violência física, agressão psicológica, violência sexual, controlo coercitivo e vigilância”, rejeitando assim a alegação de que a atriz teria fingido os sintomas de stress pós-traumático, como alegou a especialista da defesa de Johnny Depp, Shannon Curry.
“Ela aprendeu muito cedo como lidar, como viver numa situação de caos, como tratar de um progenitor que desmaiou por causa da heroína. Aprendeu muito cedo a lidar com isso. Esse ambiente ensinou-lhe que ela podia amar alguém que a magoava. Aprendeu a ter esta tolerância para a inconsistência cognitiva, para duas emoções que deveriam ser diametralmente opostas”, afirmou a especialista, dizendo ainda que Heard tentou fazer com o ex-marido o mesmo que tentou fazer com os pais: “Livrá-lo dos problemas de abuso de substâncias”, declarou Dawn Hughes.
Obcecado com infidelidade
A especialista revelou ainda em tribunal que as mensagens trocadas entre o ex-casal podem ser consideradas como uma prova de abuso emocional e de como Johnny Depp sofria de ciúmes doentios e tentava controlar a ex-mulher.
Segundo Hughes, o ator era “obcecado com infidelidade” e chegou a telefonar para atores e realizadores com quem Amber Heard trabalhava, para os ameaçar. Quando a atriz recebia guiões, Depp lia-os, procurando por cenas “picantes” para as censurar e acusava constantemente a ex-mulher de o trair.
“Ela teve que tentar esconder e trabalhar à volta dele para tentar ter a carreira que queria”, afirmou a psicóloga, que contou ainda em tribunal o episódio do voo de 2015 em que Depp “começou a falar sobre James Franco” e disse a Amber que “esperava” que ela se tivesse “divertido com a escapadela”. “Depois deu-lhe um pontapé nas costas e ela caiu de frente”, garante a mesma especialista.
Segundo Hughes, a maioria destes episódios de violência e de violência sexual aconteciam quando Depp vivia “momentos de raiva movidos a álcool e drogas”.
Amber Heard e Johnny Depp viviam o que, nas palavras de Dawn Hughes, pode ser descrito como uma relação “altamente volátil e altamente prejudicial”, marcada pelo álcool, pelas drogas e por episódios de violência sexual.
“Quando o senhor Depp estava alcoolizado ou drogado, atirava-a para a cama, rasgava-lhe as roupas e tentava ter sexo com ela. Houve vezes em que ele a forçou a fazer-lhe sexo oral quando estava chateado e momentos de domínio para tentar ter controlo sobre ela”.
Ainda segundo a especialista o ator acusou a ex-mulher de ter estado envolvida com outra mulher e “procurou por drogas” na vagina da então sua mulher.
De acordo com Hughes quando viviam na Austrália, Amber foi espancada, estrangulada e penetrada com uma garrafa enquanto Depp gritava: “Vou-te matar, odeio-te, odeio-te”.
Foi ainda exibido em tribunal o depoimento pré-gravado da enfermeira de Amber Heard, Erin Falati. Segundo a profissional, a atriz tinha “problemas com álcool e com cocaína” e lidou sempre com problemas de ansiedade, ciúmes, assim como sofria de dependência emocional nas relações, incluindo com Johnny Depp.
“Lembro-me de uma sensação geral de desavenças. Discussões, reconciliações. Um padrão repetitivo”, testemunhou Falati.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com