Enquanto a maioria do mundo e ações sucumbia perante a pandemia de Covid-19, as gigantes tecnológicas de Wall Street cresciam a olhos vistos e registavam, em 2020, um ano estrondoso. Agora, em apenas três sessões, as maiores empresas de tecnologia do mundo perderam mais de um bilião de dólares (946 mil milhões de euros), desfazendo os ganhos dos últimos meses e retirando valor às maiores fortunas mundiais.
Segundo a “CNBC”, o sector tecnológico foi o que mais sofreu desde que a Reserva Federal decidiu aumentar as taxas de juro na passada quarta-feira.
Se durante a pandemia, os investidores viam nas tecnológicas um porto seguro para o seu dinheiro, essa tendência inverteu-se e apostam agora em títulos com maior segurança, como a Campbell Soul ou a J.M. Smucker.
A Apple foi a empresa mais prejudicada pela retirada de investidores das ações tecnológicas. A empresa pública mais valiosa do mundo perdeu 220 mil milhões de dólares (208 mil milhões de euros) em apenas três dias.
Embora os mercados tenham reagido de forma positiva aos comentários de Jerome Powell, o mesmo sentimento não se verificou nos dias seguintes e Nasdaq foi o índice com o maior recuo.
A Tesla apresentou a segunda maior queda do mercado tecnológico, tendo perdido 199 mil milhões de dólares (188 mil milhões de euros) desde o fecho de quarta-feira. A perda de valor de mercado chega depois da empresa de Elon Musk ter perdido a avaliação de um bilião de dólares, dias depois do homem mais rico do mundo ter oferecido 44 mil milhões de dólares (41 mil milhões de euros) pelo Twitter.
A Microsoft viu o seu valor encolher 189 mil milhões de dólares (178,9 mil milhões de euros) em valorização de mercado, enquanto a Amazon perdeu 173 mil milhões de dólares (163,7 mil milhões de euros) e a Alphabet (dona da Google) recuou 123 mil milhões de dólares (116,4 mil milhões de euros) no mercado. Apesar das perdas das últimas semanas, a Meta Plataforms foi a que menos perdeu com o crash da ‘Big Tech’ norte-americana, tendo perdido 70 mil milhões de dólares (66,2 mil milhões de euros).
“As yields dos títulos de dívida voltaram ontem a disparar nos EUA, o que gerou mais um sell off em Wall Street. O S&P500 fechou abaixo dos quatro mil pontos pela primeira vez desde março de 2021, sendo que o sector tecnológico voltou a ser o mais penalizado, com o Nasdaq a cair mais de 4% para mínimos de novembro de 2020″, aponta o BA&N Research Unit nos comentários da bolsa desta manhã.
“Em apenas três sessões as ‘Big Tech’ norte-americanas perderam mais de um bilião de dólares de valor de mercado. As ordens de venda massivas não atingiram apenas Wall Street, com o índice global FTSE All-World a sofrer uma queda de 3% na sessão de segunda-feira, atingindo mínimos de dezembro de 2020. A aversão ao risco está a atingir níveis extremos, com os investidores a atribuírem uma probabilidade crescente ao cenário de recessão em várias economias, devido aos efeitos da guerra na Ucrânia e aperto da política monetária por parte dos bancos centrais para combater a inflação em máximos”, explica.
“O S&P500 desce cerca de 17% face a máximos e regista o pior arranque de ano desde 1939. O Nasdaq já recua mais de 25% face a máximos”, sustenta a consultora.
Ao fecho de ontem, a Apple perdeu 3,08% para 152,43 dólares, a Tesla recuou 9,05% para 787,35 dólares, a Amazon deslizou 5,12% para 2.177,96 dólares, a Microsoft caiu 3,67% para 264,65 dólares, a Alphabet depreciou 2,70% para 2.252,52 dólares e a Meta desvalorizou 3,69% para 196,25 dólares. No entanto, todas estas ‘Big Tech’ estão a apresentar valorizações superiores a 1% na aerly trading.
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