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Presidente dos Emirados Árabes Unidos morre aos 73 anos

Morte de Sheikh Khalifa bin Zayed Al Nahyan leva o emirado a decretar 40 dias de luto. Enquanto líder de Abu Dhabi, esteve sempre do lado da Arábia Saudita.
13 Maio 2022, 16h40

Sheikh Khalifa bin Zaued Al Nahyan, presidente dos Emirados Árabes Unidos e emir de Abu Dhabi desde 2004, raramente visto em público desde que sofreu um derrame em 2014, morreu esta sexta-feira. Era irmão do príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohammed bin Zayed – considerado o verdadeiro governante do país.

De acordo com a constituição, o vice-presidente e primeiro-ministro Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum, atuará como presidente até que o conselho federal que agrupa os governantes dos sete emirados se reúna, dentro de 30 dias, para eleger um novo presidente – que, tudo leva a crer, será Mohammed bin Zayed.

O Sheikh Khalifa chegou ao poder em 2004 no rico emirado de Abu Dhabi e tornou-se o chefe de Estado. Abu Dhabi, que detém a maior parte da riqueza petrolífera do Golfo, ocupa a presidência desde a fundação da federação dos Emirados Árabes Unidos pelo pai de Sheikh Khalifa, o falecido Sheikh Zayed bin Sultan Al Nahyan (1971).

O Sheikh Khalifa nasceu em 1948. Em 1969, enquanto a área ainda era um protetorado britânico, Khalifa foi nomeado primeiro-ministro de Abu Dhabi e presidente do Departamento de Defesa do emirado, que mais tarde se tornou o núcleo das forças armadas dos Emirados Árabes Unidos. Após a independência em 1971, tornou-se ministro da Defesa, cargo a que juntaria muito outros, até tornar-se presidente em 2004.

Enquanto líder, testou a possibilidade de abrir a região a uma espécie de democracia: permitiu votação limitada – por um eleitorado escolhido a dedo – para metade dos membros de um órgão consultivo federal de 40 lugares em 2006. Mas, tanto a corrida à urnas nunca ultrapassou os 40% (do limitado universo que o podia fazer).

O país esteve sempre sob rigorosa segurança, com todas as possibilidades, por mais remotas, de qualquer contestação ao regime a serem rapidamente silenciadas, o que atraiu, tal como para outros Estados da região, as críticas de grupos internacionais de direitos humanos.

Na frente internacional, o ex-governante não destoou dos princípios da liderança da Arábia Saudita. Esteve contra a Irmandade Muçulmana – odiada pela corrente sunita predominante na Península Arábica – e também contra todas as formas de xiismo – o que o levou a contribuir para a cerca sanitária montada em torno do Qatar e para a guerra do Yémen, sempre do lado da Arábia Saudita.

Por outro lado, tentou transformar o território sob a sua alçada num chamariz para os ricos do resto do mundo, investindo na cultura (ou pelo menos uma certa cultura), o que tem levado alguns críticos a considerarem algumas cidades da região uma espécie de Disneylândia para adultos.

Mesmo assim, tentou levar o país a apostar na investigação na área das energias renováveis, incluindo planos para a construção de uma cidade futurista no deserto, de baixo carbono conhecida como Masdar.

Segundo a revista Forbes, a sua fortuna pessoal está avaliada em cerca de 15 milhões de dólares. Infortúnios da virtude: em 2008, era de 19 mil milhões.

 


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