A eclosão do conflito em solo ucraniano, perpetrado pela Rússia, expôs a forte polarização entre as democracias do ocidente e o resto do mundo.
Questionadas sobre se apoiam o corte de laços económicos com Moscovo, 55% dos inquiridos na Europa responderam ‘sim’, opiniões contrariadas pelo continente asiático e divididas na América do Sul, segundo a sondagem revelada pelo “The Guardian”.
O ‘Índice de Perceção da Democracia’, divulgado anualmente, espelha as crescentes divergências entre os países ocidentais e os seus congéneres orientais, com o foco virado para o conflito entre Rússia e Ucrânia. Neste campo, Portugal apresenta a terceira maior percentagem da população com uma visão mais negativa da Rússia, 79%, apenas superada pelo país invadido, Ucrânia (80%) e pela Polónia (87%).
Já as visões mais positivas sobre a Rússia foram identificadas na China, Indonésia, Egipto, Vietname, Argélia, Marrocos, Malásia, Paquistão e Arábia Saudita.
O Índice, realizado após o início da invasão russa à Ucrânia, abrange 52 países altamente populosos da Ásia, América Latina, EUA e Europa.
A maioria, num total de 20 países, acredita que os laços económicos com a Rússia não deveriam ser cortados devido à guerra na Ucrânia. A partilhar esta estão países como a Grécia, Quénia, Turquia, China, Israel, Egito, Nigéria, Indonésia, África do Sul, Vietname, Argélia, Filipinas, Hungria, México, Tailândia, Marrocos, Malásia, Peru, Paquistão, Arábia Saudita.
Por outro lado, estão 31 países que apoiam o corte de laços com Moscovo, 20 na Europa, incluindo Portugal.
Embora os diplomatas russos apontem as descobertas como prova de que a opinião pública global não partilha as interpretações ocidentais dos eventos na Ucrânia, o nível de desconfiança da Rússia em alguns países é alto.
Os países com uma visão mais negativa da Rússia são a Polónia (87%), Ucrânia (80%), Portugal (79%), Itália (65%), Reino Unido (65%), Suécia (77%), EUA (62%) e Alemanha (62%). Mesmo na Hungria, cujo líder, Viktor Orbán, se considera publicamente aliado de Vladimir Putin, 32% dos húngaros têm uma visão negativa da Rússia. Na Venezuela, muitas vezes vista como apoiada pela Rússia, a população tem uma visão negativa de Moscovo de 36%.
Apesar das opiniões divergentes sobre a Rússia, ficou latente um forte apoio à Ucrânia. A maioria das pessoas entrevistadas na Ásia, América do Sul e Europa acredita que a NATO, os EUA e a UE poderiam fazer mais para ajudar Kiev.
Na América do Sul, 62% dos entrevistados acham que a NATO fez muito pouco e apenas 6% considera que fez demais. Na Europa, 43% disseram que a Europa fez muito pouco e 11% refere que fez muito. Na China, 34% disseram que os EUA fizeram muito para ajudar. Quase metade (46%) globalmente disse que a União Europeia, os Estados Unidos e a NATO estão a fazer muito pouco para ajudar a Ucrânia, enquanto 11% disseram que estão a fazer muito.
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