O presidente do Egipto, Abdel Fattah el-Sisi está no Catar, sendo a sua primeira visita ao estado do Golfo desde a crise de 2017, quando o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) tentou, por influência da Arábia Saudita, isolar aquele Estado do resto da região. A sua proximidade com o Irão – e o que isso influenciava já na altura a guerra do Iémen – determinou essa decisão.
El-Sisi deverá, ao longo de dois dias, encontrar-se com o emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, numa viagem que ocorre cerca de três meses depois de os dois líderes manterem conversações no Cairo com o objetivo de promover o desanuviamento entre os dois países.
Egipto e Catar restabeleceram laços diplomáticos em janeiro de 2021 após a assinatura de um acordo de reconciliação em Al-Ula, na Arábia Saudita. Além da viagem de junho do Sheikh Tamim ao Cairo, os dois líderes também se encontraram à margem de diversas cimeiras ao longo deste ano.
Em 2017, o Egipto, juntamente com a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, rompeu relações diplomáticas, comerciais e de viagem com o Catar, após acusarem Doha de interferir nos assuntos internos e apoiar o terrorismo na região. Doha negou essas alegações e, por sua vez, acusou aqueles Estados de pretenderem asfixiar económica e politicamente o Catar.
Quando Israel atacou a Faixa de Gaza em agosto passado, tanto o Egipto quanto o Catar ofereceram a sua capacidade negocial, o que se revelou, mais uma vez, essencial para acalmar os ânimos no enclave – onde o Irão, por via do Hamas, tem forte influência. O Egipto, mais alinhado com a postura dos Estados Unidos para a região – o que transforma o país africano num dos poucos estados islâmicos com alguma influência junto de Israel – acabou por concordar que a postura do Catar foi importante para que a crise tivesse sido ultrapassada.
Para o Egipto, a importância do Catar também resultado do facto de cerca de 350 mil egípcios trabalham no Estado árabe, transformando as centenas de milhões de dólares que anualmente são enviadas ‘para casa’ numa importante fonte de receita.
Em março, o Egipto assinou acordos de investimento no valor de cinco mil milhões de dólares com o Catar durante uma visita do ministro das Relações Exteriores daquele Estado, xeque Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, ao Cairo. Entretanto, a gigante petrolífera QatarEnergy anunciou um acordo com a ExxonMobil dos Estados Unidos para adquirir uma participação de 40% num bloco de exploração de gás egípcio no Mediterrâneo.
A presença do presidente egípcio no Catar pretende aumentar os fluxos bilaterais tanto ao nível dos investimentos como da balança comercial, avançou o governo do Egipto em comunicado oficial.
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