Donald Trump cumpriu ontem uma de suas principais promessas eleitorais: a assinatura do novo acordo comercial entre os Estados Unidos, o México e o Canadá (T-MEC), que atualiza o NAFTA (em vigor há 25 anos), que era, segundo o presidente dos Estados Unidos, “um dos piores acordos comerciais da história”.
Conseguido num quadro de grande tensão entre os Estados Unidos e o México – mas também com algumas escaramuças políticas entre Trump e p primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau – o acordo acaba por ser uma assinalável vitória política da Casa Branca. Entre outras normas adotadas, o novo acorco T-MEC avança novas regras sobre propriedade intelectual, introduz incentivos à produção de carros nos Estados Unidos, abre os mercados canadianos aos laticínios do vizinho, elimina um sistema de arbitragem controverso até agora existente e (por iniciativa dos democratas) fornece garantias sobre os direitos do trabalho.
Com o acordo NAFTA “perdemos empregos, fechámos fábricas e outros países construíram os nossos carros”, disse Trump, que acrescentou que o novo acordo “é uma grande vitória para os fabricantes e trabalhadores norte-americanos da indústria automobilística”. O T-MEC remove as medidas protecionistas ao comércio que Trump promoveu nos dois últimos anos – e que afetaram diretamente o México e o Canadá – e abre as portas para a criação de um espaço comum com várias vantagens comerciais.
Robert Lighthizer , representante do Comércio dos Estados Unidos, citado por vários jornais, destacou a complexidade das negociações do acordo, que duraram mais de dois anos. A assinatura é o resultado de “um esforço extraordinário” no qual participaram mais de mil negociadores dos três países.
O México é o ‘parente pobre’ do acordo – e teve de ceder em várias frentes para se tornar ‘um país pobre que pode vender aos países ricos’: reformou a Lei Federal do Trabalho, aumentou o orçamento para os sistemas de justiça no trabalho e comprometeu-se a aumentar o salário mínimo em 2% acima da inflação em cada ano.
O longo percurso do T-MEC ainda não está definitivamente encerrado: em abril próximo, o parlamento canadiano terá de o aprovar, altura em que os principais representantes dos três países – Trump, López Obrador e Trudeau – organizarão uma cimeira para assinarem o documento.
Trump ainda tem pela frente a negociação de dois acordos comerciais de grande envergadura: com a União Europeia e com o Reino Unido – sendo que este último é crucial para se perceber para onde vão os britânicos depois do Brexit.
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