A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, e a administração do Banco Santander Totta reuniram-se com a UGT, com o Mais Sindicato, com o Sindicato dos Bancários do Centro e com o Sindicato dos Bancários do Norte, e dessa reunião saíram novidades.
Além de a ministra do Trabalho prometer “intervir da melhor forma face à redução de trabalhadores na banca”, a administração liderada por Pedro Castro e Almeida aceitou adiar as saídas unilaterais (despedimentos), segundo os sindicatos e que o Jornal Económico confirmou.
Esse adiamento poderá ser por alguns meses, e servirá para os sindicatos contactarem as 100 ou 150 colaboradores do banco, podendo nem chegar a ocorrerem os despedimentos se entretanto foram alcançados acordos.
Recorde-se que o Banco Santander Totta anunciou, ao mesmo tempo que apresentou contas do trimestre, que “nesta data são iniciados os procedimentos tendentes a uma redução unilateral que incluirá os demais colaboradores cujas funções se tornaram redundantes, medida que incluirá entre 100 e 150 colaboradores”, disse o banco.
“Agindo de acordo com as propostas do Mais, SBC e SBN”, o Santander Totta “aceitou adiar qualquer medida unilateral”, diz o comunicado.
“As medidas de repúdio à intenção do Banco Santander Totta (BST) de rescindir unilateralmente com 100 a 150 trabalhadores delineadas pelos sindicatos dos bancários da UGT já está a dar frutos. Foram realizadas duas das reuniões solicitadas – com a ministra do Trabalho e com a administração da instituição”, diz o comunicado.
“Ontem mesmo, dia 4, a UGT, o Mais Sindicato, o SBC e o SBN reuniram-se via Zoom com Ana Mendes Godinho”, relatam dizendo que a ministra foi “muito célere a responder ao pedido” e que se mostrou “sensível às preocupações transmitidas e comprometeu-se a contactar a administração do Banco Santander”.
“A ministra garantiu ainda manter um canal aberto com os Sindicatos para acompanhar a questão da redução de quadros de pessoal na banca”, anunciam os sindicatos.
A reunião com administração do Banco Santander Totta decorreu esta quarta-feira de manhã. “Os sindicatos da UGT manifestaram as suas preocupações face às recentes declarações do banco e apresentaram alternativas” e “a administração foi sensível aos argumentos e à postura dos sindicatos, que reiteraram estar dispostos a negociar e encontrar soluções”.
“Nesse sentido, o Banco Santander Totta comprometeu-se a adiar a aplicação de qualquer medida unilateral, aceitando proceder em conformidade com o pedido dos Sindicatos, que insistem na necessidade de o banco negociar saídas por acordo e não por decisão unilateral do banco; de contactar todos os trabalhadores que pretendam aceitar a reforma e cumpram o requisito de terem 55 ou mais anos; de abrir o processo de candidaturas a rescisões por mútuo acordo (RMA); e de requalificar os que querem continuar no banco, pois há muito trabalho e muitos trabalhadores estão a ser sobrecarregados”, refere o comunicado das estruturas sindicais.
Os sindicatos dizem que aguardam agora a marcação de reuniões com os vários grupos parlamentares e com a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT).
O MAIS, SBC e SBN mantêm a sua posição de não embarcarem em estratégias de guerrilha, demarcando-se assim das iniciativas anunciadas pelo Sindicato dos Quadro Técnicos e Bancários, de convocarem os seus associados “e todos os bancários para manifestações no dia 11 de maio em Lisboa” para manifestações junto à sede do banco, no dia 12 de maio no Porto, a 13 de maio em Coimbra e no dia seguinte em Faro, por estarem contra as medidas de redução unilateral de colaboradores.
O MAIS, SBC e SBN dizem que “estão e estarão ao lado dos trabalhadores, sem os expor – darão a cara por eles – e respeitarão qualquer que seja a sua decisão. Os Sindicatos da UGT estão do lado da solução. Os trabalhadores podem contar com o seu apoio”, lê-se na nota.
O banco anunciou que tinha 100 a 150 rescisões unilaterais de situações em que, “tendo abordado esses colaboradores nos últimos meses para alcançar rescisões por mútuo acordo, “com condições claramente acima do mercado”, não tinha havido até à data, hipótese de entendimento.
Além disso, o Santander Totta tem em curso um plano de adesões voluntárias para rescisões por mútuo acordo e pré-reformas para colaboradores com 55 ou mais anos, o qual só termina em junho. Só nessa altura será aprovado um plano de reestruturação no qual será possível ter números mais concretos quanto a saídas.
A instituição conta atualmente com cerca de 950 colaboradores com mais de 55 anos, pelo que o plano de reestruturação para a saída de colaboradores, que pode chegar a cerca de 1.000 pessoas.
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