[weglot_switcher]

“Forbes” diz adeus à socialite Kylie Jenner da lista de multimilionários

Por muitos considerados a celebridade do momento, Kylie Jenner vê o seu nome arrastado para uma batalha contra a qual irá deixar os seus representantes lutar. A Forbes retirou o nome da Jenner mais nova da lista de multimilionários devido uma alegada falsificação de documentos de receitas do negócio de cosmética.
8 Junho 2020, 08h10

Kylie Jenner, a mais nova do famoso clã Kardashian-Jenner, brilhou na capa da “Forbes” em 2018, quando aos 21 anos de idade foi considerada a mais nova self-made multimilionária e se destacou por conta própria e com uma conta bancária recheada.

Agora, dois anos mais tarde e a venda de metade de um negócio por um preço ainda mais multimilionário, a “Forbes” veio revelar que a própria Kylie Jenner manipulou documentos para aparentar ter mais receitas do que na realidade conseguia ter com o negócio de maquilhagem, sessões fotográficas para revistas e parcerias com negócios digitais.

A revelação foi feita pela própria revista “Forbes” no fim de março, que se mostrou indignada por ter sido enganada pela família coordenada pela matriarca Kris Jenner, ex-mulher de Robert Kardashian (advogado de O.J. Simpson) e de Bruce Jenner, antigo campeão olímpico em 1976.

A multinacional de maquilhagem Coty adquiriu 51% da Kylie Cosmetics, em novembro do ano passado, por 600 milhões de dólares (543 milhões de euros), sendo que a empresa estava avaliada em 1,2 mil milhões de dólares (1,08 mil milhões de euros).

Agora, nas letras miudinhas do contrato a Coty descobriu um dos segredos mais bem guardados de Kylie. Afinal, os negócios de Kylie são significativamente menores e menos lucrativos do que a família fez parecer durante vários anos.

Ao ter conhecimento desta descoberta, a revista compara o clã Jenner a Donald Trump, que durante décadas viveu em obsessão para aumentar o seu património. “Os esforços incomuns pelos quais os Jenner estavam dispostos a ir, que incluem convidar a ‘Forbes’ para as mansões e até criar declarações de impostos provavelmente falsificadas, revelam como alguns dos ultra-ricos estão desesperados para se parecerem ainda mais ricos.”

A “Forbes” revela que a família lhes mostrou documentos onde apontavam receitas na ordem dos 420 milhões de dólares (372 milhões de euros) nos primeiros 18 meses do negócio. O valor parecia credível, uma vez que Kylie era uma das maiores estrelas do Instagram e esgotava as coleções assim que as anunciava. Em 2017, as próprias Kardashian-Jenner garantiam ganhos de 330 milhões de dólares (292 milhões de euros) e no ano seguinte teriam subido para 360 milhões de dólares (318,9 milhões de euros).

No entanto, a Coty teve acesso a todos os documentos, e estes evidenciavam grandes lacunas nos ganhos. Entre 2018 e 2019, as receitas foram apenas de 177 milhões de dólares (156,8 milhões de euros), um valor muito abaixo do que a família garantia. Os representantes de Kylie tinham afirmado à “Forbes” que a linha de cuidados de pele, lançada em maio de 2019, tinha receitas de 100 milhões de dólares (88 milhões de euros) mas os documentos entregues à Coty apresentam vendas de apenas 25 milhões de dólares (22 milhões de euros).

Caso a falsificação destes valores esteja correta, a Coty pagou demais pelo negócio com a família Kardashian-Jenner. A compra dos 51% da Kylie Cosmetics por parte da multinacional também já se fez sentir. Desde a aquisição, as ações da Coty já caíram mais de 60%, revelando um efeito contrário ao pretendido, uma vez que a multinacional francesa tinha como objetivo aumentar as vendas e voltar a destacar-se no mercado, apostando numa influenciadora digital.

À revista, os representantes da influenciadora digital negam todas as acusações de falsificação de documentos e Jenner escreveu no Twitter que o artigo da “Forbes” é baseado em “suposições não comprovadas”.

 


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.