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Conselho Europeu prossegue pela tarde adentro sem garantia de consensos

Divergências do grupo de países “frugais” com a proposta de Fundo de Recuperação defendida pelo eixo franco-alemão ameaça manter o impasse que se mantém ao longo dos últimos dias.
António Costa, Pedro Sánchez, Giuseppe Conte, Kyriakos Mitsotakis, Angela Merkel., Emmanuel Macron, Charles Michel e Ursula von der Leyen no Conselho Europeu
19 Julho 2020, 14h32

Nem o encontro bilateral entre os países do sul e os países “frugais”, após uma reunião em que os primeiros-ministros António Costa, Pedro Sánchez, Giuseppe Conte e Kyriakos Mitsotakis discutiram uma solução de compromisso com o “núcleo duro” da União Europeia (a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Emmanuel Macron), impediu que continue a existir um impasse na aprovação do Fundo de Recuperação. Os trabalhos do Conselho Europeu que arrancaram na sexta-feira em Bruxelas vão continuar pela tarde de domingo adentro e sem garantia de que seja possível chegar a um consenso.

Um diplomata da União Europeia citado pela edição europeia do site Politico disse que os líderes dos governos da União Europeia só voltarão a reunir às 15h00 (hora de Portugal Continental), avisando que as negociações se poderão prolongar pela tarde ou mesmo pela noite, visto que há “muitos detalhes que carecem de trabalho”.

Vários participantes têm garantido que a divisão entre beneficiários e contribuintes do orçamento comunitário é apenas uma pequena parte do diferendo, e há sinais claros de o grupo dos “quatro frugais” (Holanda, Áustria, Suécia e Dinamarca) encontra simpatias que podem ir além da Finlândia. Clara é a vontade de enfrentar as posições concertadas entre Angela Merkel e Emmanuel Macron em líderes como o chanceler austríaco Sebastian Kurz: “Sabem como as coisas funcionam na União Europeia. A Alemanha e a França põem qualquer coisa em cima da mesa e depois toda a gente aprova. O grupo dos frugais traz consigo a oportunidade de uma verdadeira negociação e discussão dos problemas.”

O grupo dos “frugais” só quererá aceitar que 155 mil milhões dos 750 mil milhões de euros do Fundo de Recuperação sejam entregues a fundo perdido e também pretende que essas verbas só possam ser utilizados em despesas diretamente ligadas à pandemia de Covid-19.


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