“A questão palestiniana está enterrada. Restará apenas colocar uma placa comemorativa em algum lugar da Cisjordânia. No novo Oriente Médio, que emerge para o século XXI, a causa palestiniana será um conflito marginal, periférico”. A sentença, do comentador de política internacional Alain Frachon, é uma armadilha que envolve vários países e que deixa no epicentro do problema não os Estados Unidos ou Israel, mas a Arábia Saudita.
A mais importante nação muçulmana do mundo está por estes dias tremendamente ativa em termos diplomáticos, como pode concluir-se pelo facto, determinante entre outros, de desde 1957 nenhum rei saudita ter alguma vez feito um discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque. Nesta terça-feira, através de um vídeo pré-gravado, o guardião de Meca e Medina, rei Salman bin Abdulaziz – que herdou o trono em 2015 – exigiu “uma solução global e uma posição internacional firme diante da tentativa do Irão de se equipar de armas de destruição em massa”, o que estará a fazer “aproveitando o acordo de 2015” – que os Estados Unidos renegam, mas que os parceiros europeus dizem defender até ao fim.
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