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PSD defende que plano de retoma económica deveria prever redução do peso da dívida pública no PIB

O líder social-democrata considera que, no curto prazo, a redução de dívida é “absolutamente impossível”, mas que é essencial a médio e longo prazo para recuperar a economia nacional e aumentar a sua competitividade.
30 Setembro 2020, 15h33

O presidente do Partido Social Democrata (PSD), Rui Rio, defendeu esta quarta-feira que o plano de retoma do Governo deveria prever uma redução do peso da dívida pública no PIB [Produto Interno Bruto]. O líder social-democrata considera que, no curto prazo, a redução de dívida é “absolutamente impossível”, mas que é essencial a médio e longo prazo para recuperar a economia nacional e aumentar a sua competitividade.

“Numa estratégia de médio e longo prazo, Portugal tem de reduzir a sua dívida publica, ou, pelo menos, o peso no PIB. Não é possível desenhar um plano de retoma que não preveja, pelo menos, no médio prazo a redução da dívida pública”, assinalou Rui Rio aos jornalistas, no final de uma audiência com a Apifarma (Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica), na sede nacional do PSD, em Lisboa.

Questionado sobre as linhas gerais do Plano de Recuperação e Resiliência apresentado pelo Governo e sobre a intenção manifestada na terça-feira pelo primeiro-ministro, António Costa, de apenas recorrer às subvenções europeias e não aos empréstimos, Rui Rio recusou neste momento dizer “se para o país é melhor usar ou não usar” essa fatia de fundos europeus destinado a apoiar a retoma económica dos Estados-membros.

“O Governo diz que não vai usar a componente de dívida que está posta à disposição pela UE porque temos uma dívida muito alta. Ambas as situações poderão ser defensáveis. Alguma utilização de alguma parte da componente de dívida é uma possibilidade, porque é a pagar a taxas muito baixas e a muitos anos de distância”, afirmou.

Para isso, o PSD considera desejável que o país reduzisse a sua dívida a médio e longo prazo, já que a curto prazo é, nas palavras de Rui Rio, “absolutamente impossível”. Em junho, o líder do PSD colocou, como objetivo para a década, a redução da dívida pública para valores entre os 70% a 80% do PIB, com a atração de mais investimento privado e público, o aumento das exportações e contas externas equilibradas a partir de 2022.

Sobre o plano de retoma do Governo, o presidente do PSD disse ainda ter dúvidas de que o país consiga investir toda a verba prevista para a Administração Pública. “Eu tenho muitas dúvidas, para não dizer certezas, se o país tem capacidade de utilizar tanto dinheiro em tão pouco tempo na modernização da sua Administração Pública”, afirmou, alertando que o Governo terá de consignar projetos no valor de 1,8 mil milhões de euros em apenas três anos.

Rui Rio garantiu que o plano de retoma paralelo que o PSD está a preparar, e que será apresentado nos próximos dias, “vai ter muito menos verba do que essa para esse efeito”. Adiantou ainda que o plano de retoma económica dos social-democratas “terá de certeza uma diferença de peso entre público e privado” em relação ao do Governo.

“Tenho dito há muito que aquilo que defende é o apoio às empresas exportadoras e ao investimento, o setor público não deixa de ser muito importante também, mas a dotação que o Governo tem para este setor é muito grande nas verbas de apoio imediato”, referiu.


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