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Ana Gomes acredita ser “fundamental uma reforma de fundo da fiscalidade”

Ana Gomes também prevê que existirá um acordo à esquerda, independentemente do PCP viabilizar ou abster-se na votação do Orçamento de Estado. “Se isso acontecer, com uma aprovação à esquerda, com entendimento entre o Bloco e o PS, penso que isso corresponde ao que o eleitorado votou”, referiu a antiga eurodeputada.
Cristina Bernardo
5 Outubro 2020, 00h25

A candidata presidencial Ana Gomes defendeu ser “fundamental uma reforma de fundo de fiscalidade” e apontou que nas discussões sobre o Orçamento de Estado os impostos é um tema que tem caído no esquecimento.

“Ninguém fala de impostos, ora fazem-se através de Orçamento de Estado, para o bem e para o mal, mais para o mal nos ultimas décadas do que para o bem. É estranho ninguém falar de impostos”, referiu Ana Gomes no seu espaço de comentário na SIC Notícias, no domingo, 4 de outubro.

A antiga eurodeputada explicou que, tal como tinha mencionado no passado, “queria uma geringonça dois exatamente porque era fundamental uma reforma de fundo da fiscalidade e aqui estamos com a tal floresta de benefícios fiscais e de isenções fiscais que foi detetada pelo Governo de António Costa, no tempo de Mário Centeno e identificada, mas depois não houve medidas continuou aí”.

Outra das preocupações de Ana Gomes relativamente ao Orçamento de Estado para 2021 remete para um projeto de lei do Governo que com o objetivo de “agilizar” a utilização dos fundos europeus “prescinde de organizar concursos públicos até um limite altíssimo e de obrigar os agentes do estado, quer do estado central, quer das autarquias, a fundamentarem os contratos, portanto facilitam um ajuste direto”.

Ana Gomes acredita que existirá um acordo à esquerda, independentemente do PCP viabilizar ou abster-se na votação do Orçamento de Estado, uma possibilidade apontada por Luís Marques Mendes, em comentário também na “SIC Notícias”.

“Os últimos indicadores levam-me a crer que pode haver acordo para o Orçamento de Estado, estaremos perto disso, tem que ser, dentro de uma semana ele tem de ser apresentado”, recordou Ana Gomes sublinhando que “se isso acontecer, com uma aprovação à esquerda, com entendimento entre o Bloco e o PS, penso que isso corresponde ao que o eleitorado votou”.

A candidata a Presidente da República, salientou que têm existido aspetos positivos a retirar das negociações até ao momento, como é o caso do “aumento de salário mínimo, aumento de certas prestações sociais, por exemplo o regime para os trabalhadores em outsourcing que vão ter direito ao regime dos trabalhadores das empresas que contratam o dito outsourcing. O subsídio de risco para o pessoal de saúde que está na linha da frente da covid”.

Além dos aspetos que a preocupam e os que lhe agradam, Ana Gomes também falou nas questões que ainda continuam em aberto, como é o caso do Novo Banco. “Qual será a solução que é questão do Novo Banco? O Bloco fez questão de não haver mais um cêntimo para o Novo Banco, o Governo já disse que estava a tratar de arranjar uma solução”, lembrou a antiga eurodeputada destacando que este iria ser um tema difícil de decidir.

“O compromisso do Estado quando vendeu o Novo Banco à Lone Star, que é um fundo abutre, foi permitir ir buscar esse dinheiro dos 3900 milhões e só falta pagar a fatia dos 900 milhões”, recordou Ana Gomes frisando que as verbas de que vai necessitar o Novo Banco “Não sairá do Orçamento de Estado, mas de algum lado vai sair”.

 

 


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