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Eleições nos EUA: banca mantém aliados de sempre no Congresso

As eleições para o Congresso norte-americano saldaram-se numa vitória para o setor bancário, que desde a crise de 2007 tem tentado construir uma base de apoio democrática: tanto entre os republicanos como entre os democratas.
4 Novembro 2020, 08h56

Muitos dos legisladores favoritos dos bancos de Wall Street voltaram ao Congresso ou nem sequer de lá saíram, na sequência das eleições de 3 de novembro, o que é uma boa notícia para o setor, que tenta reconstruir uma ampla base de apoio bipartidária uma década depois da crise financeira que manchou a imagem do setor em Washington.

Embora o resultado da eleição presidencial e de muitas disputas ao Congresso sejam ainda incertos, a composição dos principais comités bancários na Câmara dos Representantes e no Senado deve permanecer praticamente intacta, segundo avança a agência Reuters.

Os comités assumem a liderança na legislação que tem a ver com serviços financeiros, supervisionam os principais reguladores financeiros do país e podem conduzir investigações no setor.

Todos os membros do Comité dos Serviços Financeiros da Câmara, liderado pelos democratas, estavam a concorrendo à reeleição. O presidente do comité, Maxine Waters, venceu facilmente, assim como o deputado Patrick McHenry, que deve reassumir o seu papel como o principal republicano do comité.

Outros membros do comité da câmara que regressam aos seus assentos no Congresso com a ajuda do apoio da indústria incluem os republicanos Andy Barr, French Hill, Ted Budd e o democrata moderado de Nova Jersey Josh Gottheimer.

Os republicanos devem manter o controlo do Senado e a liderança do influente comité bancário pode ir parar às mãos do senador Pat Toomey, da Pensilvânia, um dos principais defensores dos mercados livres.

Quatro democratas e seis republicanos do comité têm a reeleição em jogo, e segundo as contas da agência Reuters há quatro cujas disputas se apresentam mais difíceis – nomeadamente para o republicano Thom Tillis, tido como um dos que mais ganha com o lobbing que pratica em favor da banca.

O setor bancário tentou nos últimos dois anos reconstruir o apoio bipartidário de que desfrutava no Congresso antes de 2008 – ano em que, na sequência da crise do subprime, os democratas decidiram que estava chegada a hora de diminuírem o grau de exposição ao setor.

As doações de campanha do setor bancário, de acordo com dados do Center for Responsive Politics e no qiue tem a ver com o ciclo eleitoral de 2020, foram de 14 milhões de dólares para os republicanos e de 13,6 milhões para os democratas. Há quatro anos, haviam sido de 18,9 milhões para os republicanos, quase o dobro do que atribuíram aos democratas.


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