Não para de subir a tenção entre Paris e Ancara: desta vez, e segundo a estação de rádio Europe 1, o governo francês liderado por Emmanuel Macron prepara-se para pedir formalmente à União Europeia que suspenda os acordos de união aduaneira mantidos entre os 27 e a Turquia.
O ministro das Relações Exteriores de França, Jean-Yves Le Drian, disse à rádio Europe 1 que o Conselho Europeu já decidiu tomar medidas contra as autoridades turcas e “agora é importante que os turcos tomem as medidas necessárias para evitar isso”. “Existem meios de pressão, existe uma agenda de possíveis sanções”, afirmou.
A Turquia e a França estão em desacordo sobre os conflitos na Síria e na Líbia, bem como na disputa pelo gás natural no Mediterrâneo e, mais recentemente, na promessa de Macron de defender os valores seculares, incluindo o direito de caricaturar o Islão ou qualquer outras religiões, como parte de batalha contra o extremismo.
Na sequência dessas declarações, o presidente turco, Recep Erdogan, pediu um boicote aos produtos franceses, acusando Macron de islamofobia e aconselhando o líder francês a fazer “exames mentais”. Estas declarações foram pessimamente acolhidas em França, o que acabou por resultar nesta nova iniciativa do governo francês.
A união aduaneira entre a Turquia e a União Europeia é um dos motivos dos sucessos recentes de Erdogan na frente económica – dado que o país é um dos maiores fornecedores da Europa em vários setor – desde logo o têxtil.
O desequilíbrio que o regresso das pautas aduaneiras da Organização Mundial do Comércio às trocas entre os dois blocos seria com certeza uma machadada na economia turca – que há mais de um ano enfrenta graves problemas, bem patentes da trajetória descendente do valor da lira turca nos mercados mundiais.
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