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“Já não são presos políticos. São reféns”, acusa Puigdemont

Ex-presidente da Generalitat reagiu em Bruxelas à decisão do Supremo Tribunal de Espanha.
5 Janeiro 2018, 15h39

O ex-presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, criticou a decisão do Supremo Tribunal de Espanha em manter Oriol Junqueras na prisão, afirmando que “já não se trata de presos políticos, mas sim de reféns”.

A partir de Bruxelas, o candidato pelo movimento JxCat à presidência da Generalitat, Carles Puigdemont, realçou, através do Twitter, que “existe um conflito a resolver entre a Catalunha e Espanha” e acrescentou: “nós temos sempre apostado pela via pacífica e pelo diálogo”.

“As urnas ‘pronunciaram-se’ por três vezes de forma inequívoca e, apesar disto, Oriol Junqueras está retido em Estremera (Madrid). Já não são se trata de presos políticos, são reféns”, considera Puigdemont

O Supremo Tribunal de Espanha recusou esta sexta-feira o pedido do antigo vice-presidente da região da Catalunha, Oriol Junqueras, para aguardar julgamento em liberdade. O juiz Pablo Llarena decidiu que Oriol Junqueras deve permanecer sob custódia das autoridades devido ao risco de reincidência criminal.

O vice-presidente catalão deposto pelo governo espanhol foi detido a 2 de novembro do ano passado, após a proclamação unilateral da independência da Catalunha. Oriol Junqueras foi acusado dos crimes de rebelião, insurreição e mau uso de fundos.

Durante a audiência, que começou esta quinta-feira, Oriol Junqueras alegou que as suas convicções religiosas e seu compromisso com “civismo, concórdia e paz” são incompatíveis com a participação em “atos violentos”, pelo que não haveria riscos de aguardar pelo julgamento fora da prisão.

O pedido para aguardar julgamento em liberdade foi apresentado duas semanas depois de as eleições autonómicas na Catalunha terem atribuído ao partido Esquerda Republicana Catalã (ERC), liderado por Oriol Junqueras a partir da prisão, 32 lugares no Parlamento catalão. A ERC foi o segundo partido independentista mais votado, com 21,359% dos votos. O ex-governante quer, por isso, representar os catalães como deputado ou, mesmo, como “presidente do Governo”.

Apesar de as eleições terem dado vitória ao partido de Albert Rivera e Inés Arrimadas, o Cidadãos (C’s), que conquistou 37 lugares no Parlamento, os partidos independentistas conquistaram maioria parlamentar. Em conjunto, a ERC, o partido Juntos pela Catalunha, liderado pelo antigo líder catalão, Carles Puigdemont, e a Candidatura de Unidade Popular (CUP), de extrema-esquerda, conseguiram 70 dos 135 lugares no Parlamento catalão.


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