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Itália depois das eleições: o grande problema é a economia?

Crescimento abaixo do esperado, desemprego alto e aumento do crédito mal parado. Ainda assim, a Itália continua a ser uma das economias mais fortes.
REUTERS/Max Rossi
5 Março 2018, 07h15

O analista Paul Wallace não tem dúvidas: o grande problema de Itália não é a política, é a economia. Em declarações à Reuters, considerou que “os investidores estão a colocar demasiada fé na atual recuperação das empresas”, criticando o crescimento italiano que, embora tenha sido o melhor desde 2010, ficou muito aquém da média europeia de 2,5%. O desemprego também caiu, mas mantém-se alto, nos 11,8%.

Ao mesmo tempo, Paul Wallace alertou para a dívida pública, que é de mais de 130% do PIB, e o crédito malparado, que está a acumular-se no sistema bancário.

Apesar destes indicadores, a Itália ainda continua a ser uma das economias mais fortes e tem um potencial inesgotável de recursos em vários setores de atividade. Dispõe de uma indústria aeronáutica e uma ampla tecnologia espacial: fabrica aviões para transportes militares, aviões de guerra e helicópteros.

Entre os sectores mais desenvolvidos estão ainda o automobilístico, o fabrico de utensílios, eletrodomésticos, maquinarias eletrónicas e instrumentos de precisão. O maior parceiro comercial é a União Europeia – com quem a Itália faz mais de metade das suas trocas comerciais.

Por exemplo, Turim é uma das maiores cidades de Itália e um dos mais importantes centros industriais do país: acolhe a sede do grupo Fiat (fundado por Giovanni Agnelli em 1899), um dos grandes empregadores privados e com peso no PIB italiano. Esta cidade é igualmente um importante pólo da indústria aeroespacial.

Aqui surgiram também grandes companhias italianas, como a Telecom Itália e a rede de televisão RAI. A nível desportivo, Turim “respira” futebol, com a poderosa Juventus em destaque.

Já Milão é a maior cidade industrial de Itália, com diversos sectores como o fabrico de têxteis e vestuário ou fábrico de automóveis. Roma, por seu lado, é o coração do turismo e da política.

Nas atividades bancárias, de seguros ou financeiras destaque para os bancos Intesa Sanpaolo ou Unicredit, a energética Enel ou a seguradora Generali.

A agricultura e o turismo

O desenvolvimento tecnológico na agricultura colocou a Itália entre os principais produtores de trigo, arroz, hortaliças, frutas e flores. O país está também entre os maiores produtores de vinhos do mundo, tendo nas regiões de Piemonte, Lombardia e Veneto os grandes centros de produção e de qualidade.

As explorações de dimensões razoáveis têm-se modernizado e os rendimentos aumentaram. Trigo, milho, beterraba sacarina, frutas – principalmente citrinos –, legumes e, sobretudo, vinho são as produções mais importantes, completadas pela pecuária – bovinos e ovinos – e a pesca.

A Itália é igualmente um dos países do mundo mais visitados por turistas estrangeiros. A sua riqueza na arte, culinária, história, moda e cultura chamam visitantes de todo o mundo.

Mesmo nos períodos de crise económica na Europa, o património italiano nunca perde a beleza.


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