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Escócia estabelece preço mínimo para bebidas alcoólicas. E é o primeiro país do mundo a fazê-lo

O problema do álcool e das mortes e violência que induz levaram as autoridades a criar uma nova lei que desmotive o consumo. A associação dos produtores de whisky está abertamente contra a nova lei.
3 Maio 2018, 21h59

A Escócia é o primeiro país do mundo a estabelecer um preço mínimo para qualquer bebida que contenha álcool, com o objetivo de desencorajar o consumo elevado de álcool, que tem provocado milhares de mortes e aumenta o crime no país.

Depois de uma longa batalha judicial por causa da oposição da Federação Escocesa de Uísque (SWA), a lei, aprovada por unanimidade em 2012, eleva o preço da cerveja, cidra e bebidas mais baratas vendidas em supermercados e lojas autorizado, conhecido como ‘off license’.

Agora, a lei estabelece um preço mínimo por unidade de álcool (10 mililitros de álcool puro) de 57 centavos, o que significa que, por exemplo, uma garrafa de vinho tinto que tem 12% de álcool (ou seja, 12 unidades de álcool) pode não ser vendido por menos de 6 libras (6,80 euros).

A Álcool Foco Scotland (AFS), a maior organização da Escócia para a prevenção do alcoolismo, acredita que as novas regras irão reduzir o consumo excessivo de álcool, sendo que os escoceses bebem 17% mais álcool que os seus vizinhos da Inglaterra e do País de Gales. Mas tanto o País de Gales como a Irlanda estão a pensar estabelecer medidas semelhantes.

Alison Douglas, diretor da AFS, explica, citado pelo jornal El Economista, que está demonstrada a relação direta entre o preço do álcool e os danos por ele causados, de modo que o impacto desta norma será significativo. “Isto salvará vidas e reduzirá o crime. Metade dos crimes cometidos na Escócia estão relacionados com o consumo de álcool”, diz.

Em 2016, na Escócia, com cinco milhões de habitantes, registaram-se 1.265 mortes relacionadas com o consumo excessivo de álcool, um aumento de 10% em relação a 2015, de acordo com números oficiais. “Às vezes pensamos que o problema do alcoolismo está relacionado com bebedores dependentes e sem-teto, mas a realidade é que um em cada quatro escoceses bebe acima do que os médicos recomendam”, disse Douglas.

O problema, de acordo com a associação, é que a indústria promove o álcool “como um estímulo social”, por isso é considerado um produto “ingestão diária” e não casual.

Já a Whisky Association Escocês (SWA) afirma que o seu objetivo é promover o “consumo responsável de álcool”. A indústria tem desenvolvido um código de conduta que estabelece normas mínimas para a promoção de whisky escocês. Além disso, as diretrizes foram estabelecidas para lidar com efeitos nocivos do álcool”, diz um porta-voz da associação.


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