O novo presidente da autonomia da Catalunha, Quim Torra, formou um governo que inclui antigos ministros que estão detidos ou exilados, na sequência da tentativa de secessão de Espanha: Jordi Turull e Josep Rull, detidos, e Antoni Comín e Lluís Puig, exilados na Bélgica.
Madrid, como Barcelona sabe, poderá não aceitar este elenco – tal como nunca aceitou que um preso ou um exilado pudesse ser eleito presidente. Se o governo central confirmar que não está disponível para ver presos e exilados eleitos para a Generalitat, o artigo 155 poderá manter-se no ativo, o que quer dizer que a autonomia estará suspensa.
A posse do novo governo, segundo a Generalitat realiza-se esta quarta-feira, depois de Quim Torra ter tomado posse como chefe do governo na passada quinta-feira, sem jurar respeitar a Constituição espanhola, mas apenas “a vontade do povo catalão”, numa cerimónia à qual não assistiu qualquer representante do governo central.
Se o braço de ferro entre as duas regiões se mantiver, é certo que a normalização política e económica da região ficarão em dificuldade – numa altura em que muitas empresas e mesmo a banca desesperam por recuperarem a normalização.
Entretanto, as posições na Catalunha vão-se extremando. Inês Arrimadas, líder do partido Ciudadanos na Catalunha, tem disso uma das vozes mais audíveis contra aquilo a que chama a chantagem que os independentistas mantêm sobre a região. Arrimadas foi também muito crítica em relação a Torra, a quem acusa de ser apenas uma espécie de fio condutor das decisões de Carles Puigdemont, ainda retido na Alemanha. Uma espécie de marioneta, diz Arrimadas, que em nada honra a Catalunha.
Os partidos não-independentistas, o Partido Socialista da Catalunha e o Partido Popular da Catalunha, seguem o mesmo tipo de análise – mas o certo é que várias sondagens permitem que os analistas coloquem a hipótese de Arrimadas conseguir, se houver um novo ato eleitoral, uma vitória (que já teve nas eleições de dezembro passado) com uma maioria suficiente para governar.
Mesmo no campo dos independentistas, esta deriva comandada por Puigdemont a partir do estrangeiro começa a ser encarada com algumas reticências – nomeadamente nos partidos mais à esquerda – que temem que a estratégia cada vez mais suicidária dos independentistas da direita acabe por afastar um número significativo de catalães dos ideários republicanos e de apoio à independência.
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