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Brasil. O grande mistério: o desaparecimento de Bolsonaro

Sempre surpreendente, Jair Bolsonaro não deu os parabéns a Lula da Silva, como seria de esperar, e desapareceu. Não recebeu nenhum ministro, não ligou a nenhum apoiante, não esteve disponível para ninguém. O mundo em redor parece ter respirado de alívio.
31 Outubro 2022, 18h08

Ninguém sabia ao certo a reação do ainda presidente Jair Bolsonaro (sê-lo-á com todos os poderes até 1 de janeiro próximo) quando se se desse o caso de o seu opositor, Inácio Lula da Silva, ganhar a segunda volta das presidenciais brasileiras. Confirmados os resultados nas urnas e tendo-se dado a vitória do candidato do Partidos dos Trabalhadores, o mínimo que se esperava era que Bolsonaro contestasse os resultados e ignorasse Lula da Silva. Em todas as televisões, os seus apoiantes prepararam a ‘plateia’ para isso: depois de perceberem que já não havia como esconder a vitória de Lula da Silva, optaram por alterar por alterar o discurso da certeza da vitória para a evidenciação do que, nas suas opiniões, não passava de uma fraude – começando pelo que diziam ser a impossibilidade, pelo menos moral, da candidatura do ex-presidente.

Do que ninguém estava à espera seria da reação de Jair Bolsonaro: pura e simplesmente, desapareceu. “Jair Bolsonaro desapareceu de cena na noite de domingo e silenciou sobre a sua derrota eleitoral. Seu ajudante de ordem, Mauro Cesar Cid, avisou à noite a ministros do governo que tentaram falar com Bolsonaro que ele havia ido dormir. Aliados de Jair Bolsonaro dizem não haver clima para contestação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito deste domingo”, refere, por exemplo, “Brasil 247”.

O jornal conta que, pouco depois do anúncio oficial da vitória de Lula, Bolsonaro reuniu com o seu candidato a vice-presidente, o general na reserva Braga Netto, mas não quis falar com ministros ao telefone nem recebê-los, segundo avançava a “Folha de S. Paulo”.

Segundo a mesma fonte, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes, disse que Bolsonaro o atendeu ao telefone e foi informado de que anunciaria os resultados. Moraes, como é da praxe, ligou para ambos os candidatos. Mas, a partir daí, foi o silêncio. Teorias da conspiração surgiram entretanto um pouco por todo o lado. Várias delas afirmavam que Bolsonaro teria deixado o país, rumo a uma nação da América do Sul.

Para todos os efeitos, o ex-ministro Sérgio Moro – recentemente regressado ao convívio com Bolsonaro depois de um desentendimento político que o fez sair do governo – foi o primeiro dirigente do bloco ‘bolsonarista’ a reagir, poucos minutos depois do anúncio da vitória de Lula da Silva. E fê-lo, para descanso do que anteviam a possibilidade de as ruas serem palco de violência física (instigada por vários elementos do bloco), de forma claramente democrática, ao afirmar que nas democracias umas vezes ganha-se outras perde-se.

Para além do primeiro-ministro António Costa e do Presidente Rebelo de Sousa, o chefe do governo espanhol, que assumirá a presidência do Conselho da União Europeia a 1 de janeiro, foi dos primeiros a dar os parabéns a Lula da Silva. “Trabalharemos juntos pela justiça social, a igualdade e contra as alterações climáticas. Os teus êxitos serão os do povo brasileiro”, escreveu Sánchez, que é também líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

Pouco depois, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, regozijou-se com a vitória de Lula da Silva, escrevendo que “hoje no Brasil a democracia triunfou”. “Celebramos a vitória do povo brasileiro, que neste 30 de outubro elegeram Lula como seu novo presidente”.

Ainda na América Latina, os presidentes do Chile, Bolívia, México e Argentina apressaram-se também a saudar Lula da Silva. O presidente chileno, Gabriel Boric, publicou uma foto na rede Twitter em que a mão de Lula aparece na frente da bandeira brasileira e a frase “Lula que alegria”. Já Luiz Alberto Arce, presidente da Bolívia, afirmou que a vitória “fortalece a democracia e a integração latino-americana. “Estamos seguros que conduzirá o povo brasileiro pelo caminho da paz , do progresso e da justiça social”. O presidente do México, Lópes Obrador, disse que “Ganhou Lula, bendito o povo do Brasil. Haverá igualdade e humanismo”. O presidente da Argentina, Alberto Fernández, escreveu que “Aqui tem um parceiro com quem trabalhar e sonhar grande para a boa vida dos nossos povos”.

Muito esperada era a reação da Casa Branca, que também não se fez esperar. O presidente norte-americano, Joe Biden, manifestou empenho em “continuar a cooperação” entre os dois países. “Envio as minhas felicitações a Luiz Inácio Lula da Silva pela sua eleição para ser o próximo presidente do Brasil, após eleições livres, justas e credíveis”, afirmou. “Estou ansioso por trabalhamos juntos para continuar a cooperação entre os nossos dois países nos próximos meses e anos”, acrescentou Biden.

A Rússia foi também dos primeiros países a reagir. ”Aceite as minhas sinceras felicitações. Os resultados das eleições confirmaram a sua grande autoridade política. Espero que, fazendo esforços conjuntos, asseguremos um maior desenvolvimento da cooperação construtiva russo-brasileira em todas as áreas”, disse Vladimir Putin, numa mensagem enviada a Lula da Silva.

Austrália, Japão, Nova Zelândia e Moçambique também enviaram rápidos parabéns a Lula da Silva.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também não demorou. “Parabéns, Lula da Silva, pela sua eleição como presidente do Brasil. Estou ansiosa por trabalhar consigo para enfrentar os desafios globais prementes, desde a segurança alimentar ao comércio e às alterações climáticas”, escreveu. Também esta manhã, Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, saudou Lula: “A UE está empenhada em cooperar nos desafios globais, como a paz e estabilidade, prosperidade e alterações climáticas, e vamos trabalhar com toda a região”.


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