A rede social Facebook admitiu esta quara-feira, 6 de junho, ter partilhado informação de utilizadores com os fabricantes chineses Huawei, Lenovo, OPPO e TCL. A confirmação surgiu depois de o “The New York Times” ter noticiado, na terça-feira, que a rede social estabeleceu acordos com 60 fabricantes de dispositivos móveis, que tiveram acesso sem o consentimento explícito a vários dados pessoais de utilizadores.
Os dados em causa incluem convicções religiosas, tendências políticas, rede de amigos no Facebook, adesão a eventos e estado civil. Contudo, Francisco Varela, um dos vice-presidentes da empresa cotada no Nasdaq, diz que a informação foi partilhada de forma “controlada”, com o objetivo de facilitar o acesso dos utilizadores aos serviços da rede social a partir dos dispositivos da Huawei, Lenovo, OPPO e TCL.
Nos Estados Unidos o caso ganha dimensão, na sequência do escândalo Cambridge Analytica, uma vez que a Huawei é considerada pela administração de Donald Trump como uma potencial ameaça à segurança nacional.
O fabricante chinês Huawei esteve sob investigação pelo congresso norte-americano e um relatório de 2012 considerou que a empresa tem uma relação próxima com o Partido Comunista Chinês. Este ano, agências governamentais e o exército norte-americano baniram a venda de telemóveis fabricados pela Huawei em instalações governamentais, como em bases militares, devido a questões de segurança.
Sobre a Huawei, Francisco disse ainda: “Queremos clarificar que toda a informação partilhada com o Huawei foi armazenada nos dispositivos e não nos servidores do Huawei”.
Em Portugal, a Huwaei já investiu 40 milhões de euros, de acordo com dados da Agência para o Invbestimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) desde 2004. A Huawei tem escritórios e um centro de inovação em Lisboa. É também uma das principais empresas-parceiras da Altice Portugal.
A investigação do “The New York Times” pode agravar a pressão política que existe sobre a Facebook para rever e melhorar a política de privacidade dos utilizadores da rrede social.
No mês de abril, o CEO e fundador da Facebook, Mark Zuckerberg, foi ouvido pelo congresso dos EUA, para esclarecer a ligação da rede social com a consultora Cambridge Analytica, que teve acesso indevido a dados privados de 87 milhões de utilizadores.
Zuckerberg foi ouvido em maio no Parlamento Europeu e pediu desculpa pelo uso indevido de dados pessoais dos utilizadores.
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