Luís Pereira Coutinho lidera o Banco dos CTT, que abriu portas em 2016, mas tem 25 anos de carreira na banca. É o primeiro entrevistado do programa Decisores, que será transmitido semanalmente no canal Play It, a nova plataforma multimédia do Jornal Económico, com apresentação de Alexandra Ferreira e Filipe Alves.
O gestor faz um balanço deste primeiro período de vida da instituição financeira. “Passaram pouco mais de dois anos desde que o banco abriu e o balanço que fazemos é muito positivo”, avalia Luís Pereira Coutinho, sublinhando esta perceção com a conquista de mercado. “Mais de 300 mil clientes, o que são cerca de 600 a 700 clientes por dia a entrarem no Banco CTT, é um ritmo impressionante”, diz.
E ao contrário do que se poderia esperar de um banco que nasceu em cima de uma rede de retalho tradicional (balcões dos CTT), “um dos aspectos mais surpreendentes nestes últimos dois anos é que a geração que estamos a atrair para o banco são os millennials, 40% da nossa base de clientes são millennials. Uma geração nativamente digital que usa canais digitais para interagir com o banco”, revelou.
Luís Pereira Coutinho refere que o banco está na fase de consolidação e assim será até ao fim de 2018.
“Temos uma presença física muito significativa, temos a notoriedade da marca que é muito forte; temos depósitos que crescem todos os dias, sobretudo depósitos à ordem que ultrapassam já os 600 milhões de euros; temos uma marca que cresce, que evolui, que mantém o ritmo de atração de novos clientes e começámos já a ganhar prémios o que também ajuda a motivar”, diz o presidente do Banco CTT.
Pereira Coutinho realçou ainda que o banco ficou “em primeiro lugar no índice de satisfação nacional de clientes, e também temos a distinção da DECO relativamente à nossa conta à ordem, como escolha acertada por causa da qualidade preço”.
“As big techs são um problema para os bancos, as fintechs não tanto, há muito campo de cooperação de bancos com fintechs” diz ainda o banqueiro que reconhece que a digitalização é uma certeza.
“Os gestores de topo não têm de ser os melhores especialistas nestas novas tecnologias, têm é de ser capazes de criar uma organização que tenha essas valências na equipa e que tenham capacidade de se adaptar (organizações flexíveis)”, adianta.
O Banco CTT não nasceu com o fardo dos NPLs, lembra Pereira Coutinho. “Arrancámos com balanço zero, sem legacy e isso permite respirar de forma mais ágil”.
Sobre a solução desenhada para os non-performing loans, diz que a plataforma, é positiva. “É uma ideia boa, pôr todos os créditos duma empresa a ser gerida por uma plataforma única. Isso ajuda à recuperação das empresas”.
Mas, adianta, o tema essencial é que é preciso intervir muito mais cedo na recuperação as empresas. Quando se chega ao ponto de os créditos irem para a plataforma tal qual ela está concebida as empresas já estão numa fase de recuperação quase impossível”.
É preciso que os credores sejam incentivados a trabalhar com as empresas antes delas entrarem em falência ou em pré-falência, defende. Quanto mais cedo a empresas entrarem em planos de recuperação com proteção de credores, maior a probabilidade de sucesso dos planos de reestruturação das empresas, e menos falências de empresas e menos crédito malparado nos bancos, disse.
Todo o processo de recuperação de empresas precisa de ser revisto, defendeu.
“Os bancos no seu conjunto fizeram um grande trabalho ao longo destes anos. Tinham o problema dos NPLs, mas também de modelo de negócio e de rentabilidade. Os bancos fizeram por si próprios com algumas ajudas, um trabalho muito significativo nos últimos 10 anos”, concluiu.
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