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Sofia Areal leva a sua relação intensa com a cor ao BAG, em Leiria

A exposição reúne cerca de 50 obras em tela e papel de diversos anos, algumas das quais em homenagem a Jorge Silva Melo, encenador, dramaturgo e amigo de longa data da artista. Para ver a partir de 11 de fevereiro no BAG – Banco das Artes Galeria.
9 Fevereiro 2023, 15h16

“Diálogos Visuais”, com curadoria de Martim Brion, inaugura a 11 de fevereiro no Banco das Artes Galeria (BAG), em Leiria, onde irá ficar patente ao público durante cerca de três meses.

O curador propõe que se estabeleçam, precisamente, “vários diálogos visuais, que são depois parte de um maior”. Tal como na vida, “na arte, tudo é sempre composto por múltiplas camadas influenciadas por inúmeros factores e é a partir desta situação aparentemente caótica que tudo é trazido à tona de água”, realça Brion.

As obras escolhidas representam uma secção do trabalho que Sofia Areal tem vindo a desenvolver ao longo dos anos, com um maior foco nas obras realizadas a partir dos anos 2000. Mas não só. Dois aspetos serviram de premissa a esta seleção. De um lado, a novidade, uma vez que uma parte importante das obras presentes, nunca foram apresentadas publicamente. Do outro, a criação de “diferentes diálogos visuais entre as obras dentro de cada sala, utilizando também obras com tons e formas que possivelmente estão menos frequentemente associadas ao conjunto principal de trabalho de Areal”.

Existe ainda outro diálogo: a ligação de Areal com o cinema/teatro e, mais concretamente, com o trabalho de Jorge Silva Melo, com quem mantinha uma amizade muito forte, de longos anos. Desse diálogo(s) surgiram trabalhos em conjunto, cujo ponto culminante foi o filme realizado por Silva Melo sobre a obra de Sofia Areal. As filmagens desse documentário iniciaram-se em 2011 e, como não pretendia ser retrospetivo, foi acompanhando a artista na sua atividade, no ateliê. Aquando da sua apresentação, Jorge Silva Melo explicou o seu propósito: “Aquilo que me interessou foi ver a Sofia Areal pensar pintando, pintar pensando”, o ofício “dessa mão que todos os dias faz a alegria”.

Um percurso marcado pela cor e pela exploração

Artista multidisciplinar tem vindo a desenvolver trabalho em áreas tão diversas como a pintura, o desenho, a ilustração, o design gráfico, a cerâmica, a tapeçaria e a cenografia. A cor será seguramente um dos mais importantes pontos de contacto entre os materiais escolhidos.

Nasceu em Lisboa em 1960. Iniciou a sua formação em Inglaterra com os cursos de Textile Design e Foundation Course, do Hertsfordshire College of Art and Design, no Reino Unido e, em Lisboa, frequentou os ateliês de Gravura e Pintura do Ar.Co. Está representada em coleções públicas e privadas de entidades como o Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação de Serralves, a Fundação Oriente ou a Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea, assim como na Fundação Carmona e Costa, na Fundação PLMJ e nos Museus de Arte Contemporânea do Funchal e de Elvas.

Das muitas exposições até agora realizadas, destaque para “SIM”, a exposição individual e antológica dos últimos dez anos do seu trabalho, apresentada na Cordoaria Nacional, em 2011, e a exposição coletiva e itinerante “Quatro”, com Manuel Casimiro, Jorge Martins e Nikias Skapinakis. Em 2012, foi fotografada por Carmela Garcia, ao lado de outras ilustres artistas femininas, para “*13 Políptico”, numa exposição que se propôs a fazer a reinterpretação fotográfica dos icónicos Painéis de São Vicente de Fora. No mesmo ano foi distinguida com o Prémio Femina para as Artes Visuais.

Em 2021, a exposição “20 Anos para a frente, 20 anos para trás”, reuniu mais de uma centena de obras de referência do seu percurso artístico de mais de 40 anos, selecionadas por Martim Brion e expostas na Fundação Carmona e Costa, em Lisboa.


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