Associados aprovam contas da Associação Mutualista com 95,6% dos votos

O resultado consolidado do exercício de 2018 foi de 4 milhões de euros, do qual 542 mil euros corresponde ao resultado atribuível à Associação Mutualista Montepio Geral.

Cristina Bernardo

Acabou a Assembleia Geral da Associação Mutualista Montepio Geral que aprovou as contas consolidadas com 95,6% dos votos.

O resultado líquido consolidado é de 4,099 milhões, o que traduz uma queda de quase 100% face a 2017. O resultado atribuível ao MGAM é de 0,542 milhões porque os interesses minoritários são de 3,557 milhões.

A situação líquida ou capitais próprios situou-se nos 260 milhões de euros o que compara com os 527 milhões de euros do ano anterior.

“De facto, embora o Grupo tenha gerado resultados positivos no exercício de 2018, de 4 milhões de euros, os capitais próprios consolidados totalizaram 260 milhões de euros, em 2018, que comparam com 527 milhões de euros, registados em 2017. Para esta redução, de 267 milhões de euros, contribuíram, essencialmente, o referido impacto negativo da aplicação da IFRS 9, no montante de 129 milhões de euros, líquidos de impostos, os desvios atuariais, diferenças cambiais e alterações de justo valor, no montante global, líquido de impostos, de 131 milhões de euros”, avança a associação no relatório e contas consolidadas de 2018.

A IFRS 9 é a norma contabilística que altera a forma como as entidades têm de registar imparidade (inclui perdas potenciais).

As contas consolidadas da associação, com 613 membros, integram os balanços do Banco Montepio, da Montepio Seguros (Lusitania, N Seguros), a gestão de ativos mobiliários e imobiliários, as residências seniores e de saúde e ainda as novas residências para estudantes.

Diz o relatório aprovado que “os proveitos inerentes a associados e prémios de seguros adquiridos líquidos de resseguro, no montante de 720 milhões de euros, apresentaram uma redução, face a 2017, de 199 milhões de euros, para o que concorreu a diminuição das quotizações e capitais recebidos na atividade mutualista, no montante de 229 milhões de euros, tendo os prémios líquidos de resseguro, das atividades seguradoras, registado um acréscimo de 29 milhões de euros, face a 2017”.

“Num contexto de muito baixas taxas de juro, de elevada concorrência e de retração da atividade bancária, a margem financeira, no montante de 285 milhões de euros, em 2018, diminuiu, 13,4%, face a 2017, evidenciando que a conjugação da redução dos custos de financiamento, de 116 milhões de euros, em 2017, para 97 milhões de euros, em 2018, não foi suficiente para compensar a redução ocorrida nos juros das aplicações, que passaram de 445 milhões de euros, em 2017, para 382 milhões de euros, em 2018, em consequência, nomeadamente, da anteriormente referida, redução da carteira de crédito, em 992 milhões de euros”, adianta o documento.

A rubrica de rendimentos líquidos de serviços e comissões registou uma redução, de 3 milhões de euros face a 2017, ascendendo a 102 milhões de euros em 2018.

Os resultados de operações financeiras foram negativos em 4 milhões de euros, e apresentam uma redução, face a 2017, de 65 milhões de euros, que é explicada pelas valias obtidas, em 2017, na venda de títulos emitidos por emissores públicos, no montante de 80,7 milhões de euros, valor que, em 2018, foi de 16,2 milhões de euros.

A rubrica outros resultados, no montante de 14 milhões de euros, em 2018, incorpora os resultados obtidos na alienação de outros ativos, que se fixaram em 9 milhões de euros (38 milhões de euros em 2017) e os outros resultados de exploração, no montante de 5 milhões de euros (18 milhões de euros em 2017). Esta rubrica inclui resultados em propriedades de investimento, incluindo as respetivas valias, no montante de 27,5 milhões de euros (33,5 milhões de euros em 2017) e resultados de alienação de crédito a clientes negativos, em 5 milhões de euros (positivos em 16 milhões de euros, em 2017).

Os custos operacionais consolidados foram de 1 034 milhões de euros, em 2018, tendo registado uma redução de 16,9%, face a 2017.

Destaque ainda para o facto de embora com um valor muito inferior aos dos anos anteriores (-51,5% face a 2017), por via da redução da imparidade para crédito, de 88 milhões de euros face a 2017 (-54,7%), o montante total de imparidades e provisões constituídas apresentou um valor significativo, de 97 milhões de euros, em 2018. Este montante de imparidades e provisões constituídas, em 2018, ultrapassou, em 5 milhões de euros, a margem operacional (resultado de exploração) obtida no exercício, de 93 milhões de euros, pelo que o resultado operacional foi de -5 milhões de euros, o qual foi mais do que compensado pelos resultados, de 36 milhões de euros, das operações em descontinuação, explica a Associação.

Para os capitais próprios de 2018 da associação mutualista contribuíram o ativo líquido de 20,76 mil milhões de euros e o passivo de 20,5 mil milhões.

O ativo é sobretudo devido ao Banco Montepio. “O balanço do grupo bancário, com um ativo líquido de 18.351 milhões de euros, em 2018, conta com 88% do balanço consolidado do MGAM, de 20.761 milhões de euros”, diz o relatório.

Tomás Correia é o líder da associação mutualista desde 2008, tendo no final do ano passado sido reeleito para continuar no cargo.

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