Proprietários defendem que suspensão dos registos de Alojamento Local em Lisboa é insuficiente

“Todos estes bairros tradicionais de Lisboa, de tradicionais já não têm nada. Todos eles são uma hospedaria pegada, quem atravessa estas ruas observa isso sem dificuldade”, diz o presidente da Associação Nacional de Inquilinos, António Frias Marques, ao Jornal Económico. A Câmara Municipal de Lisboa anunciou aos vereadores da autarquia que vai suspender novos registos de alojamento local nos bairros lisboetas da Madragoa, Castelo, Alfama, Mouraria e Bairro Alto.

Cristina Bernardo

O presidente da Associação Nacional de Proprietários considera que a suspensão dos novos registos de alojamento local em cinco bairros Lisboa, anunciada esta quinta-feira, é insuficiente para alterar a situação que já se vive.

A Câmara Municipal de Lisboa anunciou aos vereadores da autarquia, em reunião privada do executivo liderado pelo PS, que vai suspender novos registos de alojamento local nos bairros lisboetas da Madragoa, Castelo, Alfama, Mouraria e Bairro Alto. A informação consta do estudo urbanístico do turismo em Lisboa, que foi apresentado na reunião e noticiado pela agência Lusa.

Em declarações ao Jornal Económico, o presidente da Associação Nacional de Proprietários, António Frias Marques, diz que esta decisão não vai, no entanto, alterar a situação. “Nesses bairros praticamente já só há alojamento local. O tecido habitacional está saturado com o alojamento local”, afirma Frias Marques, defendendo que esta medida não vem afetar quem ainda vive nestes bairros. “No fundo, todos estes bairros tradicionais de Lisboa, de tradicionais já não têm nada. Todos eles são uma hospedaria pegada, quem atravessa estas ruas observa isso sem dificuldade”, sublinha.

Segundo o estudo urbanístico do turismo em Lisboa, o alojamento local nas freguesias de Santa Maria Maior, Estrela e Misericórdia também vai ser alvo de restrições.

A Câmara Municipal de Lisboa anunciou, no início deste mês, que iria apresentar ainda em outubro uma proposta de contenção para limitar a abertura de novos alojamentos locais. “É uma medida legal de tentativa de travar os registos, mas isto não vai travar coisa nenhuma, porque tudo o que seja um vão de escada para deitar turistas vai continuar a existir”, até porque “o alojamento local real é o dobro daquele que está registado, porque há muito alojamento local que é ‘encapotado’”, refere António Frias Marques.

O município estima que o regulamento sobre esta matéria seja divulgado no próximo mês novembro.

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