Joaquim Barroca diz que CGD “apadrinhou” compra da Abrantina pelo grupo Lena

O ex-administrador do antigo grupo Lena explicou que o negócio tinha como finalidade concorrer a grandes investimentos públicos do Governo de José Sócrates e diz que, na altura da compra, a Abrantina já tinha imparidades.

Rafael Marchante/Reuters

O ex-administrador do antigo grupo Lena, Joaquim Barroca, afirmou esta quinta-feira que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) “apadrinhou” a compra da construtora Abrantina pelo grupo Lena. Joaquim Barroca explicou que o negócio tinha como finalidade concorrer a grandes investimentos públicos do Governo de José Sócrates e diz que, na altura da compra, a Abrantina já tinha imparidades.

“Já havia imparidades na Abrantina, antes da compra do grupo Lena. Eram créditos mortos. Quando a Lena adquire a Abrantina [em 2007] transformam-se créditos vivos. A Caixa já tinha esses créditos mortos e já os dava como perdidos. A expectativa de recuperar recuperar esses créditos era nula. Por isso, a Caixa apadrinhou esse negócio”, afirmou Joaquim Barroca, em audição, na II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da CGD e à Gestão do Banco.

Joaquim Barroca explicou que o grupo Lena, através da Always Special, entrou neste negócio numa altura em que “havia um plano de investimentos públicos previstos que exigiam que as empresas de construção tivessem alvarás para concorrer a grandes investimentos públicos”, como a “recuperação de portos marítimos, aeroportos ou o TGV”.

Como o grupo Lena não tinha alvarás, grupo precisava de encontrar empresas que tivessem, explicou o ex-administrador do antigo grupo Lena. Por isso, recorreu, à compra da construtora Abrantina, que estava então em processo de venda. Joaquim Barroca reiterou que a Abrantina tinha então uma “dívida monstruosa” e que a Caixa ganhou com o negócio.

“A Caixa ainda ganhou com juros desses 44 milhões que temos estado a pagar pela compra da Abrantina pela Always Special”, afirmou.

Questionado pela deputada do CDS-PP, Cecília Meireles sobre um alegado tratamento preferencial da parte da CGD, Joaquim Barroca sublinhou: “Nunca entrei na Caixa, nem sei onde é a entrada principal”. O ex-administrador afirmou ainda que “a relação [do grupo Lena] com a Caixa tem muitos anos”, dando conta que tal se iniciou nos anos 1970, ainda durante o tempo do pai.

Sobre o negócio de Vale do Lobo – uma segunda operação identificada no relatório da EY -, Joaquim Barroca não se pronunciou, lembrando que está a decorrer um processo judicial sobre essa matéria e que isso está “em segredo de justiça”.

Joaquim Barroca, arguido na “Operação Marquês” e suspeito de ter corrompido o antigo primeiro-ministro José Sócrates, é um dos grandes devedores da CGD, segundo o relatório da auditoria da EY. O ex-administrador do grupo Lena devia 44 milhões de euros ao banco público, através da empresa Always Special, em 2015, depois de uma concessão inicial de crédito de 55 milhões de euros.

Ler mais
Recomendadas

Facebook expande programa de ‘fact checking’ independente em Portugal

A rede social anuncia expansão do programa de fact-checking em Portugal com o Polígrafo.

PremiumAeroporto do Montijo só vai ter reserva de combustível para três dias

Resumo não técnico do estudo de impacto ambiental elenca cenários de ocorrência de acidentes graves envolvendo substâncias perigosas.

PremiumCrescimento das trotinetes é insustentável

O vereador da mobilidade da CML diz que a micromobilidade em Lisboa já vale mais de 50 milhões de euros, mas o novo general manager da Lime entende que há ‘players’ a mais. “É insustentável existirem nove concorrentes em Lisboa e 25 em Madrid”, diz.
Comentários