Síria: governo e oposição apoiam o acordo entre a Rússia e a Turquia

Damasco diz que o pacto testará a influência de Ankara em Idlib, enquanto os líderes da oposição a al-Assad no exílio celebram uma vitória contra o ditador.

Tanto o governo de Bashar al-Assad como a oposição síria ao regime de Damasco, no exílio, manifestaram o seu apoio ao acordo anunciado no início desta semana pelo presidente russo, Vladimir Putin, e pelo seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan. Ambos os líderes acordaram durante uma reunião em Sochi na criação de uma zona desmilitarizada em Idlib, Síria, a última província ainda em guerra e onde estão acantonados cerca de três milhões de civis.

O acordo permitiu afastar o cenário que durante vários dias foi o mais provável: o de uma ofensiva militar do exército regular sírio, que os líderes da oposição consideravam que iria resultar na chacina de civis. Foi por isso que os opositores a Bashar al-Assad entenderam o pacto russo-turco como uma vitória.

Por seu turno, Damasco também acolheu o acordo, mas reiterou que continua determinado a recuperar “cada centímetro do território nacional”. “O acordo vai testar a capacidade da Turquia na aplicação da decisão”, disse o embaixador sírio em Beirute, Ali Abdel Karim, em entrevista ao canal de televisão libanês Al Jadeed.

Karim referia-se ao facto de Ancara ter vindo a apoiar fações rebeldes baseadas em Idlib ao longo dos últimos anos, estando agora a preparar-se para lhes exigir a entrega de armas e o cumprimento da desmilitarização de uma área de cerca de a 20 km de largura em torno da cidade, que será então controlada por patrulhas conjuntas da polícia russa e turca.

O Irão, firme aliado de al-Assad, deu a sua aprovação ao acordo – apesar de não ter estado presente na mesa de negociações – um dia depois de Putin e Erdogan o terem tornado público.

A província de Idlib, cerca de sei mil quilómetros quadrados, representa quase 10% do território sírio e é a única das 14 províncias que ainda escapa do controlo da al-Assad. Até 30 mil combatentes de grupos armados heterogéneos acabaram acantonados nesta última fronteira rebelde com a Turquia. Um terço deles pertence à Tahrir al Sham, uma coligação jihadista liderada pelo braço local da Al Qaeda, que ainda controla 60% do território de Idlib.

Os civis de Idlib receberam o acordo com alívio – contam as agências noticiosas no terreno – após a realização de vários dias de protestos contra o governo de Damasco.

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