Socialistas europeus já estão em campanha para as eleições de maio

PSE tem dois candidatos à liderança da Comissão Europeia: o holandês Frans Timmermans e o eslovaco Maros Sefcovic, ambos pertencentes à equipa de Jean-Claude Juncker. Mas, primeiro, os socialistas tem de ganhar as eleições e isso parece ser, para já, o mais difícil.

Depois do ‘tiro de partida’ dado pela ultra-direita, as eleições do próximo ano (em maio) para o Parlamento Europeu estão a ‘aquecer’. Desde 2004 que a Comissão Europeia é liderada pelo Partido Popular Europeu, primeiro com o português Durão Barroso e depois com o luxemburguês Jean-Claude Juncker, mas os socialistas – que averbaram uma sonante derrota com o alemão Mario Schulz – que viria a ser ‘apenas’ presidente do Parlamento antes de ser posteriormente derrotado no seu próprio pais por Angela Merkel – querem voltar a a liderar aquela estrutura.

O italiano Romano Prodi foi o último representante das fileiras socialistas a conseguir a presidência da Comissão Europeia, e o agregado quer agora organizar para dezembro um processo de eleições primárias internas para decidir quem será o seu candidato à substituição de Juncker – que já disse que não é candidato a permanecer no lugar.

O atual primeiro vice-presidente da Comissão, o holandês Frans Timmermans, parece ter o apoio das grandes delegações nacionais dos socialistas, com a Alemanha, por via do SPD (o partido de Schulz) e o PSOE espanhol à frente. Mas já tem um concorrente: o também vice-presidente da Comissão, o eslovaco Maros Sefcovic, que diz que tem o apoio de nove delegações nacionais.

O problema é que tanto um como outro só serão eleitos se a sua família política (o Partido Socialista Europeu) ganhar as eleições de maio e isso, segundo as sondagens mais recentes, está longe de ser o horizonte mais provável, dado que os estudos de opinião indicam que os partidos de raiz socialista vão perder posições em países tão importantes como a Alemanha, França, Itália e Holanda.

Os dois candidatos socialistas não podiam ser mais diferentes e representam de algum modo os antagonismos entre os países tradicionais e os novos países do alargamento – com agendas políticas, prioridades e atitudes muito diferentes.

Timmermans (Maastricht, 1961, casado e com quatro filhos) é um poliglota reconhecido (fala fluentemente inglês, francês, alemão, italiano e russo), optou por anunciar publicamente a sua vontade de liderar a Comissão em holandês e no seu círculo eleitoral em Heerlen.

“Acredito na Europa porque, num mundo que muda tão rapidamente, precisamos de uma resposta de magnitude que os Estados não podem dar no nível meramente individual”, disse esta semana, citado por vários jornais. O holandês alertou para o risco de que as próximas gerações europeias cresçam num mundo onde as barreiras voltem a marcar o horizonte – e esse parece ser o mote e a motivação do holandês: é isso que o faz correr.

Sefcovic (Bratislava de 1966, casado e com três filhos) anunciou a sua intenção de se candidatar há quase um mês e fê-lo nas instalações do Parlamento Europeu. Explicou que uma das suas maiores preocupações é que a Europa “deixe de falar sobre o leste e o oeste, o norte e o sul, para lançar novamente o motor da integração”.

A corrida está por isso lançados, mas, para já, o Partido Popular Europeu é para já o mais forte candidato a eternizar-se à frente da Comissão, tendo já dois potenciais interessados em herdar a cadeira de Juncker: o eurodeputado alemão Manfred Weber e ex-primeiro-ministro finlandês Alex Stubb .

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