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Política / Economia

Em Portugal, a esquerda da esquerda tem direito a evolução, tanto ideológica como de compreensão civilizacional. A direita da direita não tem o mesmo benefício de indulto histórico e mudança de agenda.

Infelizmente, uma frase de João Cravinho continua atual: "Fui travado de todas as maneiras e feitios. Não havia vontade política para combater a corrupção”.

Não é uma fatalidade ver a política e os meios judiciais do mundo que fala português entregues ao despudor e ao conluio com criminosos. Não tem de ser eternamente assim.

Não há fogos de esquerda e/ou de direita. Há fogos! Há tragédias! E estas, no caso português, se insistimos sempre em ter "culpados", são responsabilidade de vários governos e partidos

Os 13 conselheiros do TC, nomeados pelos partidos na AR, deixaram prescrever os prazos de coimas a esses mesmos partidos por irregularidades face à lei do financiamento partidário. E não sentem que têm explicações a dar?

Desporto

É incompreensível que a Autoridade da Concorrência tenha permitido que o antigo monopólio da Olivedesportos, depois participado pela NOS, se tivesse transformado num oligopólio em que se juntam também a Altice (MEO) e a Vodafone

A Croácia não estudou devidamente a final do último Europeu, ganho por Portugal. Preferiu a franqueza ao cinismo. Assumiu a posse de bola e deu espaço à França. A final teria tido outra qualidade, e mais equilíbrio, com a Bélgica ou o Brasil, as outras duas melhores equipas da prova

Com o treinador Tite, o grande reforço, a equipa do Brasil juntou a força à fantasia, colocou a organização a sustentar a classe do seu trio de luxo: Neymar, Coutinho, Willian. Ataca e defende. Não há maior candidato à vitória

O dia foi marcado por dois grandes jogadores do Paris-Saint Germain. Mbappé, uma estrela em ascensão acelerada, destroçou a Argentina pela velocidade e potência; Cavani, um lutador contrastado, derrotou Portugal pela força e capacidade de concretização. O resultado foi que Messi e Cristiano Ronaldo voltam a casa no mesmo dia

O que é possível é complementar William com um João Moutinho menos castigado fisicamente (descansou no último jogo) e outros dois futebolistas que rendam, finalmente, o que valem: Bernardo Silva e João Mário. Se isso acontecer, a seleção terá outro nível

Atualidade

Resumindo: o cidadão Ricardo Robles, pelo menos que se saiba, não fez nada de ilegal nem criminoso; o político Ricardo Robles, provado neste caso como um hipócrita, tinha de abandonar os seus cargos, no partido e na Câmara de Lisboa (três dias depois de ter dito que não o faria...) e, assim, aliviar a pressão sobre o BE

O processo de discussão sobre o 'sim' ou 'não' à eutanásia lembra, de novo, caso isso fosse necessário, como funciona a 'democracia à portuguesa': os partidos propõem; os seus políticos-funcionários iluminados debatem; os cidadãos ouvem e até se torna útil que digam algo para legitimar o pseudo-debate - mas, no final, esses partidos, os seus deputados, o governo de turno, obviamente, decidem.

Há duas maçonarias: a dos princípios e a dos negócios. António Arnaut foi, para além do pai do Serviço Nacional de Saúde, um homem de princípios. Morreu há pouco e deixa um grande exemplo de vida, sempre norteada pela ética, pela deontologia, pela preocupação com os outros e a construção de um Estado mais justo.

No Verão que se aproxima, com a lembrança da tragédia do ano passado a pesar sobre Portugal inteiro, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa estarão unidos para o melhor e para o pior.

As sucessivas declarações dos últimos dois dias, começando por Carlos César e continuando em João Galamba, abrindo caminho a uma abordagem ao caso de José Sócrates pelo próprio primeiro-ministro, não podem deixar de ter resultado de uma estratégia delineada. António Costa sentiu o perigo e o PS lançou-se para a imperiosa necessidade de reagir a este calvário de auto-flagelação, que envolveu ainda Manuel Pinho, Arons de Carvalho e até Ferro Rodrigues (sobre a ética associada às viagens dos deputados insulares). Fez bem.

O caso Manuel Pinho é uma nova oportunidade para constatarmos como o regime funciona.

Conheço 'jornalistas' que nunca assinaram uma notícia. Nunca ousaram fazer ou promover uma investigação séria sobre que assunto fosse. Nunca arriscaram uma incomodidade. Confesso que não tenho qualquer respeito profissional por eles, mesmo que alguns escrevam em português escorreito

O 'processo Marquês' transformado num jogo de xadrez ou futebol: o Ministério Público (MP) ataca pelo 'Correio da Manhã' (CM), José Sócrates defende-se até na SIC - e o jornalismo, algures no meio, também pode refletir

O presidente do PS, Carlos César, começa a ganhar o hábito de ver o seu nome associado a notícias socialmente embaraçosas.

Proponho um exercício: imaginemos que o comentário "o CDS até tem um dirigente gay! Ai que moderno que ele é!" não tinha sido proferido por Fernando Rosas.

Assunção Cristas fez o CDS subir no País nas últimas eleições autárquicas, nomeadamente em Lisboa, mas isso não impediu que o congresso do partido, realizado em Lamego, a reconduzisse em baixa com números mais europeus: passou dos quase 96% de há dois anos para pouco mais de 89%

Quem aprecia os jogos políticos, partidários e pessoais só pode ter ficado desiludido com o discurso final de Rui Rio no Congresso. O novo presidente do PSD não perdeu tempo com as incidências do conclave, de Montenegro a Ilina, nem comentou o resultado das listas.