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“Exportações? 2023 será mais exigente devido à guerra e a este susto com os bancos”, diz secretário de Estado da Internacionalização

Em relação aos lucros da TAP, Bernardo Ivo Cruz disse ao Jornal Económico que é sempre uma boa notícia quando se vê uma empresa “sair do encarnado e entrar no verde”.
22 Março 2023, 07h50

O secretário de Estado da Internacionalização disse ao Jornal Económico (JE) que, embora este ano as exportações devam sofrer um impacto com a preocupação dos investidores, Portugal e a União Europeia ainda podem respirar de alívio em relação ao “susto” com o colapso do Silicon Valley Bank e do Signature Bank.

“Mas estamos atentos e a acompanhar com muita atenção, porque aprendemos lições com o passado e o sistema financeiro é muito integrado”, advertiu o governante ao JE, à margem da segunda edição da conferência Dare2Change, onde discursou sobre a importância da inovação e do conhecimento para a internacionalização.

Bernardo Ivo Cruz fez a sessão de encerramento deste evento copromovido pela Portugal Foods, pelo Colab4Food e pelo INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, que se realizou esta terça-feira, no centro de congressos Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota, no Porto.

Em 2022, pelo segundo ano consecutivo, as exportações tiveram a maior contribuição para o crescimento económico do país. Quais são as previsões para os próximos meses?

2023 será um ano mais exigente do que 2022, que foi um ano particularmente bom. Atingimos os 50% das exportações do PIB, que só tínhamos pensado atingir no final da legislatura. Portanto, antecipámos essa meta. Precisamos agora de metas mais ambiciosas, mas 2023 está a ser um ano um bocadinho mais difícil, não só pelo efeito da guerra, onde o custo da energia e dos bens está a impactar todas as cadeias, inclusive a alimentar – não nos esqueçamos de que a Ucrânia é o celeiro da Europa, com a maior produção europeia de um conjunto muito grande de alimentos -, mas há também agora um susto, esta situação com alguns bancos nos Estados Unidos. É um susto que eu tenho a certeza de que será passageiro, mas que nos pôs outra vez de antenas no ar. Devemos estar ainda mais atentos e ser mais cuidadosos.

Na semana passada, ainda antes do anúncio da venda do Credit Suisse, disse à Lusa que o colapso dos bancos nos EUA não assustava os investidores norte-americanos interessados em Portugal. Continua a não assustar?

Continua. A União Europeia neste momento está descansada. A banca portuguesa, ao contrário da banca americana e banca suíça, é regulada duas vezes: pelo banco central português, o nosso Banco de Portugal, que por sua vez está ligado ao BCE. Há um conjunto grande de processos de regulação. Também não nos podemos esquecer de que, enquanto toda a banca portuguesa é regulada, nos Estados Unidos – onde se deu o princípio desta situação mais complicada – só a banca mais sistémica é que é verdadeiramente regulada. Portanto, os bancos que sofreram intervenção da Reserva Federal têm graus de regulação menores do que aqui na Europa. Mas estamos atentos e a acompanhar com muita atenção, porque aprendemos lições com o passado e o sistema financeiro é muito integrado.

Ontem, a TAP regressou aos lucros, ao fim de cinco anos. Este resultado da chamada “companhia de bandeira” pode significar uma melhoria reputacional de Portugal no estrangeiro?

Todas as boas notícias são sempre boas notícias e, portanto, quando nós vemos uma empresa portuguesa importante dar a volta, sair do encarnado e entrar no verde são sempre ótimas notícias

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