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Banco do Japão deverá manter as taxas de juro inalteradas

Ao contrário de praticamente todo o resto do globo, o banco central japonês resiste a mexer nas taxas de juro. Os analistas consideram que esta política será para manter.
15 Junho 2023, 11h06

O Banco do Japão (BOJ) continua a ser uma exceção entre os bancos centrais globais: até agora, não fez alterações nas suas taxas de juros. Mas os analistas da Allianz Global Investors consideram que essa fase pode estar a acabar: “o ambiente atual pode levar o BOJ a repensar a sua posição. A inflação no Japão permanece em uma alta e o índice de preços ao consumidor (CPI) (excluindo alimentos frescos e energia), a medida preferida do BOJ, continuou a acelerar até agora para 4,1% ano a ano em abril, superando em muito a meta de inflação de 2%”. O funcionamento do mercado de títulos do governo japonês e os recentes aumentos salariais (3,6% em média), aconselham a que o banco central faça qualquer coisa.

Nas projeções económicas publicadas em abril, o BOJ espera que a inflação no ano fiscal de 2024 caia para 1,7% (estimativa mediana), falhando a sua meta de 2%, mas dando indicações de que não há nada de urgente a fazer em termos das decisões consignadas à instituição.

Nesse quadro, o governador do BOJ, Kazuo Ueda, tem apontado repetidamente que acredita que a economia ainda requer o suporte de estímulos e que o risco de agir cedo demais pode superar o risco de agir tarde demais. Ou seja, a tendência – principalmente numa altura em que os restantes bancos centrais dão mostras de pretender abrandar ou mesmo estancar a subida dos juros – é manter tudo como está.

Portanto, não esperamos que o BOJ faça mudanças radicais na reunião de junho e ainda não esperamos mudanças na principal taxa de juros de curto prazo (atualmente em -0,1%).

No geral, o BOJ mantém-se na defensiva e parece ancorado ao ‘anterior’ regime de risco deflacionário, o que não surpreende, dizem os analistas da consultora, tendo em conta o impacto muito negativo que este último teve na economia japonesa. “No entanto, devemos também lembrar que outros bancos centrais – em primeiro lugar o Fed dos Estados Unidos – destacaram a natureza transitória da inflação”. Estavam enganados, como admitiram muito rapidamente. “Esta é a razão pela qual, taticamente, mantemos uma visão cautelosa” sobre o Japão.

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