A Goldman Sachs emitiu um alerta sobre os riscos de correção em Wall Street após a considerável alta acumulada este ano, baseada na força de um punhado de grandes ações de empresas tecnológicas – e que não são um espelho fiel do mercado. À medida que o risco de recessão cresce, a Goldman Sachs acredita que os investidores devem proteger a sua exposição às ações cotadas nas bolsas dos Estados Unidos contra uma potencial correção.
“Preferimos manter uma posição de alta nas ações enquanto usamos opções para proteger uma potencial correção de 23% num cenário de recessão”, observam estrategas da Goldman Sachs, citados pelos jornais norte-americanos. A empresa acredita que há uma probabilidade em quatro de uma recessão nos Estados Unidos nos próximos doze meses e que, se esse cenário se concretizar, o índice S&P 500 pode cair para 3.400 pontos (esta manhã, está a cotar nos 4.365,69 pontos).
Aquelas fontes já haviam alertado em fevereiro para a maior atratividade das bolsas europeias e asiáticas contra Wall Street, devido à maior probabilidade de queda dos lucros corporativos das empresas norte-americanas. Mas outros analistas alertam para que aconteceu precisamente o contrário e o S&P 500 bateu os índices europeus e asiáticos em desempenho nos últimos meses, desafiando a ameaça de recessão.
O S&P 500 até entrou em fase de alta em junho, alimentado pela pausa nos aumentos das taxas de juros que a Reserva Federal (o Fed) acabou confirmando na reunião da semana passada. Um movimento esperado pela maioria dos analistas, que antecipavam que o mercado mobiliário iria apreciar o alívio da Fed quando ele chegasse – e está aí, não tendo ainda ‘feito escola’ na Europa, como ficou bem claro nas últimas declarações sobre a matéria da autoria do Banco Central Europeu.
O mercado de ações é no entanto é muito dependente do sector das tecnológicas, alerta ainda a Goldman Sachs, que está a passar por uma fase de um verdadeiro boom graças devido principalmente às novas oportunidades oferecidas pela inteligência artificial (IA). De facto, se não fosse a ascensão das big techs, o S&P apresentaria um balanço quase estável até agora este ano e não um ganho acumulado de quase 15%. Mas este é um argumento falacioso: o índice é o que é e não outra coisa qualquer.
Alguns dos principais estrategas de Wall Street vêm alertando há meses para a sua desconfiança em relação ao atual andamento do mercado. Michael Wilson, da Morgan Stanley, ou Marko Kolanovic, da JP Morgan, são dois deles. Mas, como recorda o jornal “El Economista”, nenhum deles têm recomendações de venda para ações dos Estados Unidos.
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