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Austrália, Canadá e Reino Unido contra novos colonatos israelitas

A expansão contínua dos colonatos, ilegais à luz do Direito internacional, é um obstáculo à paz, disseram os três países, aliados tradicionais, em comunicado conjunto, depois de vários dias de violência e da decisão de novas construções.
EPA/MOHAMED MESSARA
1 Julho 2023, 16h25

Os governos da Austrália, Canadá e Reino Unido – tradicionais parceiros de Israel – disseram estar “profundamente preocupados” com os recentes acontecimentos na Cisjordânia ocupada, incluindo a decisão de Israel de expandir os seus colonatos ilegais. A decisão surge no meio de uma onda de violência contínua que se regista desde o início do ano.

A decisão “reduz ainda mais as perspetivas de paz. A expansão contínua dos colonatos é um obstáculo à paz e impacta negativamente os esforços para alcançar uma solução negociada de dois Estados. Pedimos ao governo de Israel que reverta estas decisões”, disseram os ministros dos Negócios Estrangeiros dos três países num comunicado conjunto divulgado este sábado.

O Comité de Planejamento do Ministério da Defesa de Israel, que supervisiona a construção de colonatos, aprovou mais de cinco mil novas casas em regime de colonato no passado dia 26 de junho.

A declaração das chancelarias também expressou preocupação com as mudanças no processo de aprovação de colonatos aprovado em 18 de junho, no qual o ministro das Finanças, de extrema-direita, Bezalel Smotrich, recebeu amplos poderes para acelerar a construção, ignorando medidas que estão em vigor há 27 anos. Recorde-se que o seu colega da Ministério da Segurança, Ben Gvir, vive ele próprio num colonato.

Desde 3 de janeiro, quando Ben Gvir visitou o complexo da mesquita de al-Aqsa que a violência na região se intensificou. No passado dia 19, as forças israelitas invadiram o campo de refugiados de Jenin usando helicópteros de combate (o que não sucedia na Cisjordânia há 20 anos), matando sete palestinianos e ferindo cerca de 90.

Depois disso, palestinianos armados atacaram israelitas, enquanto um grupo de colonos realizava uma série de ataques a aldeias palestinianas, incendiando dezenas de casas e automóveis

Os governos australiano, canadiano e britânico, que condenaram a violência contra israelitas e palestinianos, saudaram a declaração conjunta dos chefes de segurança de Israel, que, numa declaração praticamente sem precedentes, chamaram os ataques dos colonos “terrorismo nacionalista”.

Quase 750 mil israelitas vivem em 250 assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada, construídos em terras capturadas por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.


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