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Eleições no Sporting. Rui Jorge Rego: “Temos 120 milhões à nossa disposição”

A aposta em parceiros estratégicos e um modelo de gestão profissionalizada do futebol, são as ideias defendidas pelo candidato à presidência dos ‘leões’.
8 Setembro 2018, 13h00

Rui Jorge Rego é um dos seis candidatos que no próximo sábado, dia 9 de setembro, concorre às eleições do Sporting Clube de Portugal. Em entrevista ao Jornal Económico, o advogado defende que os ‘leões’ devem ter um presidente da SAD e do clube diferentes e propõe-se a controlar os custos e a voltar a ter uma equipa com base na formação, contando com o apoio de dois parceiros estratégicos que lhe vão permitir a entrada de 120 milhões de euros, que poderão ser usados em reforços, ou para resolver situações de tesouraria.     

O que o diferencia dos outros candidatos?

Julgo que temos dois pontos diferenciadores: o modelo de governação da SAD, em que nós entendemos que o presidente da SAD não deve ser o presidente do clube. Isto não tem a ver com incapacidade, ou receio da minha parte de liderar a SAD, mas o facto de entendermos que a gestão do futebol deve ser feita por profissionais do futebol.

Por isso escolhemos Paulo Lopo para ser o presidente da SAD e não tenho dúvidas que é o que apresenta melhor currículo. O segundo ponto tem a ver com o modelo financeiro que nós trazemos para o clube e SAD, que representa uma inversão do modelo dos últimos anos.

O Sporting tem feito os seus orçamentos sempre nesta perspetiva: a SAD tem uma receita na casa dos 65 milhões e fazem-se orçamentos para o futebol de 80, ou 90 milhões e esperamos que as receitas extraordinárias da entrada na Liga dos Campeões e a mais-valia da venda de jogadores permitam colmatar o défice que nós temos. E o que nós dizemos é que não podemos continuar a fazer isso, porque esse modelo não trouxe rendimento desportivo e as prestações financeiras são péssimas. O Sporting hoje tem dia um passivo, que se continuar aumentar qualquer dia é ingerível. O que nós propomos é controlar os custos, voltar a ter uma equipa com base na formação, de forma a que aquilo que o Sporting pode despender no orçamento do futebol, seja na casa dos 50 milhões de euros. Depois os nossos parceiros estratégicos, Júlio Brant do Brasil e a KPNJ da China, nos permitam aquisição de jogadores de nível mundial, para que o Sporting mesmo com o orçamento mais reduzido possa ter uma equipa competitiva.

Quais são as soluções a curto prazo para resolver eventuais questões de tesouraria?

Desde logo através dos nossos parceiros a partir do dia 9 de Setembro, temos 120 milhões de euros à nossa disposição, que não têm de ser usados para comprar jogadores. Se for necessário este valor pode ajudar-nos a combater esses problemas de tesouraria que vamos encontrar. Quero fazer fé naquilo que é dito pela comissão de gestão num comunicado, onde diz que as questões financeiras do Sporting estão regularizadas.

A informação que tenho é que a restruturação financeira iniciada por Bruno de Carvalho e Carlos Vieira e que foi terminada agora pela comissão de gestão estará pronta a ser assinada e vai permitir renegociar as dívidas bancárias, refazer um novo empréstimo obrigacionista em Novembro e deixar-nos com uma margem para que o Sporting possa honrar os seus compromissos até ao final do ano desportivo.

Se não existir essa restruturação financeira nós com os 120 milhões temos a capacidade para resolver o assunto. Quanto menos condições financeiras nós tivermos, mais problemas vamos ter.

Considera que é um risco trazer jogadores de baixo custo na esperança que possam render?

Sim, porque muitas vezes não rendem. Tem sido isso que temos visto no Sporting. Quando olho para o plantel encontro ali dois jogadores, que significam aquilo que nós defendemos. O Bas Dost, que pela idade que tem provavelmente não nos trará retorno financeiro, mas dá-nos retorno desportivo de sobra.

O outro é o Bruno Fernandes, que tem um dos salários mais elevados, mas desportivamente não tenho dúvidas que o vamos vender por 20 ou 30 milhões. O Sporting tem nas suas fileiras três tipos de jogadores: os que nunca cá deviam ter jogado, os que têm qualidade e para quem o Sporting será o topo da carreira e os que estão no Sporting em regime de transição para um campeonato com mais dinheiro.

O problema é que temos muitos jogadores que nunca cá deviam ter jogado. Como não ganhamos títulos acabamos por perder os jogadores de qualidade, cuja carreira poderia ser acabar no Sporting. Se não começarmos a dar títulos aos jogadores, eles começam a olhar para o Sporting, como um clube do meio da tabela de outras ligas melhores e vão-se embora.

Temos que errar menos nas contratações do primeiro tipo de jogadores, ganhar títulos e acarinhar os jogadores para quem o Sporting é o topo da carreira e ter cada vez mais jogadores para quem o Sporting é uma passagem para outros campeonatos, porque são esses que nos vão dar retorno desportivo e financeiro.

Esses jogadores não se compram por menos de 10 a 15 milhões de euros a não ser de vez em quando há um ‘achado’. Por isso é que estas parcerias estratégicas são essenciais a curto prazo para o futuro do Sporting.

Como pensa pacificar o clube depois de toda a perturbação que se viveu nos últimos meses?

O Sporting só vai ter duas formas de se pacificar. Da minha parte garanto que vou cumprir a primeira das permissas, que é dos seis [candidatos] que perderem têm de perceber que não são mais oposição. Uma coisa é quando há eleições, outra é andar a fazer oposição durante quatro anos.

Algumas vezes nem é uma questão de oposição, mas de mimo, por exemplo liguei ao presidente e ele não atendeu. E as inimizades começam assim, parece que temos de andar a ligar às pessoas e dar-lhes atenção. E essa é também uma das razões pelas quais o presidente do Sporting, não deve ser o presidente da SAD, porque o presidente do Sporting tem um mar de tarefas para cumprir, desde a relação com os sócios, aos núcleos e institucionais.

No dia 9 [de setembro] quem não for eleito tem de fazer parte da solução, se a direção em exercício entender que não deve fazer parte da solução e não vê nos seus programas nada que interesse, nós temos de ser os mais contidos e os que mais apoiamos a direção, mesmo quando pontualmente podemos não concordar, com aquilo que estão a fazer. O segundo é as vitórias. Sem sucesso desportivo não vamos conseguir sanar estas divisões internas, porque elas só existem porque não há resultados, nem desportivos, nem financeiros e portanto, é normal que as pessoas achem que as coisas não estão a funcionar bem.

Como viu a desistência de Pedro Madeira Rodrigues para apoiar José Maria Ricciardi?

Já esperava que isso viesse acontecer. Não esperava a forma como foi feita. Acho que foi muito ‘atabalhoada ‘. O Pedro [Madeira Rodrigues], acho que viu bem a questão e disse “eu não vou ganhar”, acha que nem João Benedito e Frederico Varandas devem ser presidentes do Sporting, portanto fez o seu movimento. Temos de respeitar as decisões das pessoas. Encaro-a com muita normalidade.

Em algum momento ponderou abdicar por outro candidato?

Ponderei abdicar da liderança do projeto, nunca ponderei abdicar do projeto. São coisas distintas. Esta minha ponderação começou antes da apresentação da minha candidatura, mas não do projeto porque acredito que este é o projeto que o Sporting necessita para voltar a ser um clube ganhador.

Algum dia pensou que poderia candidatar-se a presidente?

Nunca me passou pela cabeça candidatar-me à presidência do Sporting. Esta candidatura nasce de um conjunto de circunstâncias. O primeiro por ter conseguido estes parceiros estratégicos e depois o facto de ninguém ter acreditado que este poderia ser o projeto de futuro para o Sporting, acabou por me levar a avançar. Não me arrependo independentemente daquilo que acontecer no sábado, acho que é importante que os sportinguistas percebam que há outros caminhos e que este será o caminho do futuro, não tenho dúvidas nenhumas quanto a isso.

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