[weglot_switcher]

Rússia coloca grandes dificuldades à saída das empresas ocidentais

Apesar dos fortes danos reputacionais e financeiros, a perspectiva de algumas empresas ocidentais deixarem a Rússia está a tornar-se difícil. Até porque Putin está interessado em dificultar o mais possível.
11 Setembro 2023, 14h03

As empresas ocidentais foram levadas a deixar a Rússia depois da invasão da Ucrânio em fevereiro do ano passado, mas as dificuldades de deixar aquele mercado podem ser maiores que permanecerem, apesar dos danos reputacionais. Nabi Abdullaev, sócio da Control Risks e ex-editor do “Moscovo Times”, disse à CNBC que “algumas empresas decidiram ficar porque o risco de deixar a Rússia, pelo menos neste momento, é maior do que o risco de ficar”.

As dificuldades surgem do facto de o governo russo estar constantemente a mudar as regras para empresas multinacionais que desejam deixar o país, tornando o processo especialmente demorado. As empresas que optam por uma abordagem de corte e execução colocam em risco os seus ativos, que estão a ser tomados pelo Estado.

As operações russas de diversas multinacionais foram capturadas por dois aliados de Vladimir Putin, depois de terem passado pelo ‘calvário’ da suspensão da atividade. “A expropriação da Danone e da Carlsberg foi significativa porque tornou imprevisíveis as ações que o governo russo poderá assumir em relação às empresas que ainda lá estão. Foi um sinal claro para as essas empresas”, disse Maria Shagina, investigadora, em declarações à CNBC.

Algumas dessas empresas prometeram encontrar compradores, sair ou reduzir as operações, mas enquanto isso não sucede continuam a pagar impostos ao governo russo, o que levou a fortes críticas. O governo ucraniano, por exemplo, classificou a Unilever, entre outros, como “patrocinadora internacional da guerra” – apesar de a Unilever ter dito que não investirá mais capital na Rússia nem lucrará com a presença no país.

Já a dinamarquesa Heineken, que tinha 1.800 funcionários na sua unidade russa, não conseguiu uma saída rápida. Em comunicado recente comprometeu-se a deixar o país: “os desenvolvimentos recentes na Rússia no verão de 2023 [incluindo a nacionalização de grandes empresas ocidentais] demonstram que é desafiador para as empresas garantir a aprovação da saída”.  O grupo está “desconfortável” com a perspectiva de o Estado russo beneficiar de quaisquer ativos comerciais estatizados.

Em 25 de agosto passado, mais de um ano depois de anunciar o seu plano de sair, a Heineken encontrou um comprador no grupo russo Arnest, que comprou as operações no país por um euro. A receita da Heineken com a Rússia em 2022 foi de 613 milhões de dólares!

As empresas que pretendem sair da Rússia enfrentam restrições rígidas mas as que permanecem no país podem continuar a fazer negócios porque, apesar das sanções, inúmeras transações e atividades ainda estão autorizadas. “Como parte da abordagem de sanções ‘inteligentes’, os setores civil e humanitário não são visados, e muitas empresas ocidentais continuam a operar nesses setores”, disse Shagina à CNBC.

Ao mesmo tempo, o ambiente corporativo na Rússia está a mudar. “O efeito combinado das sanções internacionais e a saída de centenas de empresas ocidentais terão efeitos negativos na economia da Rússia”, disse Andrius Tursa, conselheiro para a Europa Central e Oriental da empresa de consultoria de risco Teneo. “Com o tempo, isso pode limitar ainda mais o potencial de crescimento económico da Rússia e tornar o país ainda mais dependente da China”, especificou.

RELACIONADO

Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.