Os partidos reagiram ao anuncio do Banco Central Europeu (BCE) do décimo aumento consecutivo das taxas de juro, em 25 pontos base, sendo que a maioria dos partidos salienta que os lucros da banca são “obscenos” e que é “inadmissível como é que a banca se mostra totalmente insensível ao sofrimento de milhares e milhares de famílias”.
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O líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, defende que “é tempo de parar” com as subidas das taxas de juro. “Não estamos em momento de o Banco Central Europeu continuar a castigar as famílias e as empresas”, afirmou. “Tenho pena que a direita, a mesma que, no fundo, quis aplicar uma receita de austeridade em Portugal, continue a apoiar esse tipo de iniciativas e essa política”, continuou o deputado.
Já o deputado do Chega, Rui Afonso, sublinha que “temos de dizer um basta aos lucros da banca, no primeiro trimestre deste ano os cinco maiores bancos portugueses lucraram quase mil milhões de euros, à custa, precisamente, do aumento das taxas de juro, é inadmissível o que está a acontecer, esse valor tem de ser transferido para apoiar as rendas do crédito à habitação, é inadmissível como é que a banca, que em tempos foi tão ajudada pelo dinheiro dos contribuintes portugueses ,neste momento se mostre totalmente insensível ao sofrimento de milhares e milhares de famílias que estão a sufocar com o seu crédito à habitação”.
O deputado revela que o partido vai apresentar, na próxima semana, um projeto de lei que visa “aplicar uma CST, em exemplo do que já acontece com a grande distribuição, também para os lucros extraordinários da banca. Não podemos aceitar que a banca possa estar a usufruir de grandes lucros à custa do sofrimento das famílias, é totalmente impensável”.
O PCP, aponta que, “através da sua atuação no mercado, a Caixa Geral de Depósitos pode ter aqui um papel para garantir uma redução da prestação da casa, estas são as necessidades que se colocam neste momento, o PCP apresentou essas propostas, e as notícias hoje do BCE só dão mais razão às propostas que o PCP apresentou e que colocará em cima da mesa muito em breve”.
“Aquilo que nós temos verificado é que a receita que até agora foi seguida não está a ter um efeito prático na redução dos preços, o aumento dos preços dos bens alimentares, da energia, por ai fora, tem razões, que são conhecidas, mas que também uma das razões é o aumento das taxas de lucro dos grupos que acabam por dominar esses sectores”, sublinha o deputado do PCP, Duarte Alves. “Aquilo que para nós é fundamental, é o aumento dos salários e das pensões, as pessoas não podem continuar a ter um salário que não chega até ao final do mês, uma pensão que não dá sequer para ter acesso aos meios mais fundamentais, o aumento dos salários, o aumento das pensões é determinante e nisso o Governo tem uma responsabilidade”.
O Bloco de Esquerda (BE) destaca que “perante os lucros obscenos da banca, os bancos sejam obrigados a renegociar a prestação das famílias, baixando a prestação e usando esses lucros para salvar as famílias que estão em dificuldades, de outra forma este jogo do BCE é, apenas e só, um enorme negócio para a banca lucrar e o Governo não pode dizer que está muito preocupado com a situação social do país, e até contrária à política do BCE, e depois não fazer nada para defender as famílias. Defender as famílias é dizer aos bancos que têm de baixar as prestações das famílias, que tem de usar os lucros obscenos que têm para fazer essa escolha”.
Segundo o deputado Pedro Filipe Soares “há uns meses atrás o BCE dizia que o que faz disparar a inflação são os abusos dos preços em alguns sectores monopolistas ou oligopolistas da nossa sociedade, à escala europeia, e em alguns aspetos à escala nacional, o que é que fez sobre isso, o que é que fizeram os Governos sobre isso? Nada, atacaram as famílias e continuam a atacar as famílias com um aumento das taxas de juro que não mexe nesses interesses instalados, pelo contrário, beneficia os bancos, que agora sim estão a ter lucros milionários, penaliza as famílias, penaliza até a economia”, sublinhando ainda que “é preciso agir, é inaceitável estes lucros obscenos que a banca está a ter com este negócio de juros e é preciso baixar as prestações de casa às famílias, e isso só se faz obrigando a banca a utilizar esses lucros para baixar as prestações das casas, diminuindo a taxa de esforço das famílias que está em patamares insustentáveis neste momento”.
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