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“Ligação de CR7 à Arábia Saudita é perigosa”, alerta especialista em marketing desportivo

Daniel Sá considera que o craque português arrisca ver a sua marca depreciar com a ligação à Arábia Saudita e considera que esta monarquia está a levar a cabo uma estratégia de ‘sportswashing’ com um investimento sem precedentes numa considerável amplitude de modalidades.
16 Setembro 2023, 15h00

Artigo originalmente publicado no caderno NOVO Economia de 9 de setembro, com a edição impressa do Semanário NOVO.

Ao longo dos tempos, o sportswashing já foi utilizado por diferentes regimes para se legitimar na cena internacional. A forma escolhida pela Arábia Saudita, através do investimento massivo na Liga de futebol saudita, tem algo de diferente na visão de um especialista em marketing desportivo?
As únicas diferenças relativamente a movimentos de sportwashing do passado que vejo aqui é o facto de ser um investimento em vários desportos ao mesmo tempo e com um volume muito alto, sem precedentes. Todos sabemos que, para além do objetivo de sportwashing a Arábia Saudita está também, através da sua visão 2030, a procurar reduzir de forma brutal a sua dependência
atual do petróleo o que significa investir em outras áreas. O desporto é uma delas e este investimento massivo não tem sido
apenas no futebol, mas também no golfe, desportos motorizados ou boxe, prevendo-se assim em outras mais.

Um estudo recente da Grant Liberty definiu Cristiano Ronaldo como “exemplo notável” de uma figura marcante do
desporto que “comprometeu a sua posição moral” ao aceitar dar a cara pelo regime saudita quando ingressou
no Al Nassr. Como comentar esta apreciação? Esta escolha de carreira de CR7 compromete a sua reputação?
Precisamente pelo exemplo notável da marca CR7 de forma continuada com mais de 20 anos sem qualquer tipo de polémica significativa, esta associação à Arábia Saudita é efetivamente perigosa e pode gerar danos futuros. O risco existe, mas por outro lado, a marca CR7 tem um alcance global e uma personalidade muito positiva e consistente, pelo que o simples facto de estar a competir nesta nova liga por si só não acho que possa desvalorizar ou depreciar a marca. Muitos atletas competem no mundo ocidental em clubes com donos de origem duvidosa ou patrocinados por marcas que também já tiveram problemas reputacionais. Não terá sido por isso que foram afetados com significado.

Até que ponto é que se pode culpabilizar um jogador por querer, através da ida para a Arábia Saudita, melhorar
a sua situação financeira mesmo que isso signifique uma perda de valor ao nível da reputação, seja o atleta o Cristiano Ronaldo ou qualquer outro daqueles que optaram por essa via na sua carreira?
É uma questão muito relevante e que, de novo, se pode sempre aplicar a outras geografias. Que país atualmente se pode considerar impoluto no mundo atual? Recordo que os dois últimos mundiais de futebol realizaram-se no Qatar e na Rússia e que há uns anos atrás era o campeonato chinês de futebol que estava a fazer contratações milionárias.

É possível que a Arábia Saudita consiga normalizar a sua reputação internacional através do investimento massivo no desporto e num vasto leque de modalidades ou será necessária uma vigilância e denúncia através das organizações de direitos humanos, atletas e adeptos?
O investimento no desporto ajudará certamente a melhorar a imagem e reputação internacional da Arábia Saudita dado que o
desporto tem um alcance global por todo o mundo. No entanto, tal como em vários outros países, a vigilância sobre os direitos humanos continuará muito ativa.


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