A economia norte-americana tem mostrado uma resistência acima do esperado desde o início do ciclo de aperto monetário, evitando uma recessão que parecia certa, pelo menos como um todo. Ainda assim, um olhar mais atento por sector mostra fragilidades e quebras da atividade em ramos específicos em períodos não-coincidentes, levando alguns analistas a falar numa ‘recessão contínua por sector’ (do inglês rolling recession), um cenário coincidente com a ‘aterragem suave’ a que a Reserva Federal tem apontado.
Recessão está a chegar aos Estados Unidos. Economia americana deverá cair e criar efeito dominó
Com a inflação em valores não vistos desde os anos 70 e indicadores de atividade e confiança em valores negativos, os mercados projetavam uma recessão para os EUA durante 2023, face a uma esperada quebra da procura interna e uma conjuntura internacional pouco favorável. Mas o crescimento aguentou, apesar de crises em sectores específicos, explicam os analistas do Capital Group.
Ao invés da recessão generalizada e recuo em cadeia do PIB norte-americano, o que se verificou foram “mini-recessões em diferentes indústrias em momentos diferentes com pouca sincronização”, escreve Jared Franz, economista do think-tank. Tal confirmaria a ‘aterragem suave’ que Jerome Powell, presidente da Fed, tem vindo a projetar.
Assim, verificaram-se desde o início da pandemia recuos claros e pronunciados da atividade em diferentes ramos: o turismo e sectores de contacto foram os primeiros a sofrer logo com a Covid-19, tal como o petróleo e a indústria; de seguida, o sector dos semicondutores sofreu fortes perturbações durante 2022 das quais já recuperaram, estando até a motivar um rally nas bolsas; e agora é o segmento do imobiliário que começa a recuperar, depois de as vendas de casas em segunda mão terem caído quase 40%.
“Parece que o imobiliário começa a recuperar, enquanto outras áreas da economia, como o imobiliário comercial, começam uma espiral negativa. Com mais pessoas a trabalhar de casa, as perspetivas para escritórios são particularmente problemáticas”, ilustra Jared Franz.
Um sinal que tem sido frequentemente apontado como indicativo de uma recessão iminente é a curva de yields invertida. Todas as recessões dos últimos 50 anos nos EUA foram antecedidas por uma inversão desta natureza, mas o analista da Capital Pramod Atlur tem outra visão.
“Uma curva invertida significa que o mercado prevê que as taxas diretoras sejam mais altas hoje do que amanhã. É só isso”, resume o gestor de portfolio de rendimento fixo. Como tal, os investidores poderão estar a sobrevalorizar esta situação, sobretudo dada a rigidez histórica do mercado laboral, com taxas de desemprego baixas.
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