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Joaquim Jorge regressa ao lugar onde nunca chegou a estar

Chegou a ser apontado como cabeça de lista do PSD à câmara de Matosinhos nas últimas autárquicas, mas o seu nome não resistiu ao crivo do aparelho partidário. Hoje, lança um movimento para possivelmente concorrer como independente.
6 Outubro 2018, 11h00

Joaquim Jorge, sociólogo e professor – mais conhecido por ser o fundador do Clube dos Pensadores, uma espécie de think tank pública que levou ao Porto a grande maioria dos políticos portugueses com destaque na última década – lança hoje o Movimento Matosinhos Independente, com vista às eleições autárquicas de 2021.

Joaquim Jorge chegou a ser apontado como cabeça de lista do PSD para concorrer à autarquia de Matosinhos, mas o seu nome acabou por ser preterido pela estrutura do partido – num imbróglio político regional que nunca chegou a ser bem explicado.

Desta vez, Joaquim Jorge corre com o recurso à figura de independente e, afirma, as eleições que hão de vir não são a sua preocupação imediata. Aquilo que o leva a lançar o movimento, disse ao Jornal Económico, é “dar às pessoas um espaço que lhes permita dizerem o que pensam” da autarquia de Matosinhos, mas também da política em geral.

A pretensão de concorrer à Câmara fica por isso para mais tarde, quando Joaquim Jorge “analisar o resultado do movimento”, a sua interação com os matosinhenses e o impacto que conseguir criar na gestão da autarquia – nas mãos da socialista Luísa Neves Salgueiro.

Para já, o potencial candidato independente considera que a autarquia é excessivamente despesista e trata alguns cidadãos da autarquia como cidadãos de segunda categoria. Na sua ótica, quanto mais longe da praça do município estão as populações, mais são deixadas ao abandono.

A análise da evolução da gestão da autarquia vai merecer-lhe cuidado especial – uma espécie de governo-sombra formado por si, com o contributo de alguns amigos que se vão juntando ao movimento. Lançado publicamente esta tarde, “o movimento tem sido bem recebido”, entre outras razões porque “as pessoas precisam de um espaço onde possam discutir as coisas que são do seu interesse” e que vão rareando.

Afirmando que o poder pelo poder não é aquilo que o faz correr, Joaquim Jorge promete uma observação atenta da realidade política de Matosinhos e uma ação suficientemente eficaz, não apenas para se transformar numa alternativa política credível, como também para ajudar a provar que a política fora do espartilho partidário é cada vez mais uma possibilidade.

Em termos de financiamento, disse ainda Joaquim Jorge, já está no ativo uma conta solidária – mesmo faltando ainda o respetivo número de contribuinte – que recebe donativos por transferência bancária e que é para já o suporte do movimento.


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