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Turismo desportivo: “Portugal pode ser um destino de nível mundial”

Em Espanha representa 15% do turismo em geral, mas em Portugal os valores não são conhecidos. Na última edição do programa “Jogo Económico” debateram-se as razões pelas quais o nosso país é um dos visitados e quais as futuras estratégias.
27 Outubro 2018, 17h00

O turismo foi um dos setores que mais subiu em Portugal, sendo que em 2017 as receitas provenientes  desta área foram de 17 mil milhões de euros, com a tendência a indicar um sentido de crescimento nos próximos anos. Dentro deste ‘bolo’ existe uma ‘fatia’ que continua no anonimato e que diz respeito ao turismo desportivo.

Sabe-se contudo, que na prática do golfe o nosso país é visitado por  300 mil turistas, estimando-se que gastem 120 milhões de euros. No ano passado em somente 11 dias o mundial de surf, em Peniche, gerou 14 milhões de euros para a  economia local e uma taxa de ocupação de quase 100% nos hotéis e restaurantes.

António da Cunha, CEO da Move Sports, uma das empresas que é líder neste segmento foi o convidado da última edição do “Jogo Económico, no qual começou por abordar as razões que levam o nosso país a ser um dos escolhidos para esta prática.

“Portugal é um país com condições de excelência para num futuro a médio prazo poder vir a ser um destino de turismo desportivo a nível mundial. O clima é fundamental, a praia, o sol, o mar. O facto de sermos politicamente estáveis, a segurança e os acessos”, afirma. Contudo, é necessário que  para o nosso país vir a ser “uma referênci tem de haver uma estratégia concertada entre o [setor] público e o privado no sentido de captar esta ‘fatia’ importante do mercado de negócio que é o turismo desportivo”, refere António da Cunha.

Os preços das viagens de avião, é também outra das alterações necessárias a serem realizadas, algo que se reflete na perda de negócios para Espanha. “Na prática sofremos e perdemos para a nossa ‘vizinha’ amiúde inúmeros negócios turístico-desportivos, precisamente porque o aeroporto de Lisboa esta super lotado e caríssimo. São várias as cidades internacionais que têm aeroportos com tarifas a metade do preço do aeroporto de Lisboa. É indispensável descarregar o aeroporto de Lisboa, através da construção de um novo aeroporto”, explica o CEO da Move, para quem a escolha do Montijo é o local indicado para o novo aeroporto.

“A margem sul do Tejo é uma zona por excelência onde há tudo para fazer. Temos uma costa belíssima e é preciso notar que o turista desportivo também procura praia, mar e algum lazer há volta dos seus estágios desportivos”, sublinha.

O turismo em geral espanhol representa 90 mil milhões de euros de receita, sendo que o turismo desportivo é responsável por 13,8 mil milhões de receita, ou seja 15% da fatia do turismo em geral.

Por sua vez, Portugal tem uma receita geral de 17 mil milhões de euros de receita turística, mas António da Cunha, desconfia que no  nosso país essa “percentagem em relação ao turismo desportivo é muito inferior ao de Espanha. Temos um longo percurso a fazer”, sendo que para percorrer esse caminho “é fundamental que exista uma integração de todos os players do mercado públicos e privados no sentido de identificar esta área de negócio muito importante para a nossa economia” e assim, “criarem-se políticas públicas e privadas no sentido de captarmos cada vez mais atenção do mundo para o nosso país”, conclui o CEO da Move Sports.


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