A provável dificuldade em estabelecer um elenco governativo com uma maioria estável no Parlamento apresenta um risco potencial para um provável atraso na implementação do Plano de Recuperação e Resiliência, alertou esta segunda-feira a agência de notação financeira DBRS.
“O maior risco tangível a curto prazo é o atraso potencial da implementação do Plano de Recuperação e Resiliência português, especialmente se a formação do Governo se arrastar no tempo ou se a próxima administração se revelar de curta duração e desencadear eleições antecipadas relativamente cedo”, alerta a agência de notação financeira na nota divulgada esta segunda-feira.
A preocupação da DBRS prende-se sobretudo com o “contexto de abrandamento da economia e de riscos geopolíticos à espreita”. Nesse sentido, alerta a agência, “um período prolongado de negociações para formar um Governo ou uma possível instabilidade política poderiam dificultar a implementação efetiva do plano”.
Note-se que, em janeiro deste ano, esta agência de notação financeira confirmou o ‘rating’ de Portugal em ‘A’, mantendo ainda o ‘outlook’ (perspetiva) ‘estável’. “A economia portuguesa cresceu mais rapidamente do que a da área do euro em 2023, mas está a perder dinamismo em 2024, devido às elevadas taxas de juro e à fraca procura externa”, justificou para manter a avaliação divulgada em julho do ano passado.
Na nota divulgada esta segunda-feira, assinada por Javier Rouillet, senior vice presidente da Morningstar DBRS, a agência considera que os esforços de redução da dívida pública em Portugal apresentam “riscos limitados nos próximos anos”, seja qual for o partido a liderar o próximo Executivo.
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