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Da exultação ao arrependimento: As frases que marcaram os três anos da ‘Geringonça’

Este domingo comemoram-se três anos desde que o Governo socialista, sustentado pelo PCP, BE e PEV, foi indigitado pelo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Desde então, a ‘Geringonça’, como lhe chamou o centrista Paulo Portas, já viveu altos e baixos. Veja algumas das frases deste governo que marcam estes três anos de legislatura.
Cristina Bernardo
26 Novembro 2018, 07h35

Primeiro ano: No início era o engenho

“Todos os dias a maioria demonstra que é capaz de resistir e que está de boa saúde. Quiseram diminuir chamando-lhe geringonça, mas até tiveram azar [porque] uma geringonça é uma coisa engenhosa”. António Costa, primeiro-ministro, em plenário, a 5 de março de 2016.

“Se há alguma coisa que este processo orçamental provou é que esta solução de geringonça não tem nada! Tem sim quatro partidos que vão conseguindo trabalhar em conjunto e que conseguem aprovar um orçamento”. Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, em entrevista à rádio Renascença a 16 de março de 2016.

“Não há nada mais engenhoso do que uma geringonça! Nada mais interessante quando as coisas são claras na mecânica, quando os mecanismos disponíveis parecem funcionar”. Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, em entrevista à revista Visão, a 14 de abril de 2016.

“É geringonça mas funciona. A nós não nos incomoda nada ser geringonça, mas a vocês incomoda muito que funcione”. António Costa, em plenário, a 28 de abril de 2016.

“[A Geringonça] É uma expressão dita por Paulo Portas, na altura em que ainda estava muito zangado com a solução política encontrada. Procurou minimizá-la e desvalorizá-la, foi esse o sentido da adjetivação que arranjou. Relevante, de facto, é que, tal como Passos Coelho, se enganaram porque estavam sempre, a cada dia – ou era o orçamento ou a União Europeia ou os mercados ou as agências de rating -, permanentemente, ‘agora é que é, agora é que é’ [o fim]… E, afinal, não tem sido. Acho que devia retirar a caracterização e classificação que fez”. Jerónimo de Sousa, secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), em entrevista à Agência Lusa, a 21 de maio de 2016.

“Todos os dias me arrependo [da criação da ‘Geringonça’]. Todos os dias sou confrontada com os limites da ‘geringonça’. Isso custa. O que não é mau, é o que temos de fazer”. Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, em entrevista ao jornal Público, a 21 de agosto de 2016.

 

Segundo ano: A dúvida e a desintegração das peças

“Se o PS tiver maioria absoluta, quero que se mantenha a experiência de trabalhar e de colaborar com o BE, com o PCP e com os Verdes porque acho que isso tem sido benéfico para os portugueses”, João Galamba, na altura porta-voz do PS, em declarações à Agência Lusa, a 26 de agosto de 2017.

“Os últimos dois anos provaram que era possível fazer as coisas de uma forma diferente”. Catarina Martins, em entrevista à RTP1, a 10 de novembro de 2017.

“Provou-se, com esta solução, que é possível o país viver melhor, conseguir crescer economicamente de um modo sustentado, estarmos crescentemente a diminuir o desemprego, e o desemprego quer dos jovens, quer dos desempregados de longa duração, e criar uma situação de estabilidade política e, sobretudo, de estabilidade na vida das pessoas”. António Costa, em entrevista à RTP1, a 10 de novembro de 2017.

“Não houve retrocessos, houve avanços, mesmo que limitados do nosso ponto de vista. Não se repetirá, tendo em conta a própria conjuntura. Pensamos que este caminho deve prosseguir, independentemente das posições conjuntas. Até pode não haver nenhuma posição conjunta, mas a questão é a de saber se, no futuro próximo, vamos continuar a andar pela frente ou se, por parte do Governo, existe qualquer travagem e voltar para trás. Esta é a grande questão que está colocada”. Jerónimo de Sousa, em entrevista à RTP1, a 10 de novembro de 2017.

“Esta solução é a que resulta desta correlação de forças no quadro político que resultou das eleições de 2015. Todo o contexto é relevante, dificilmente a história se repete. Pode andar em círculos, que se aproximam uns dos outros, mas a história não se repete. Esta solução é o resultado de um quadro político concreto que resultou das eleições e 2015. Naturalmente as próximas legislativas, aconteçam elas quando acontecerem, trarão um quadro político diferente deste. Não há soluções ou modelos que possam ser transpostas para outro quadro, outra realidade”. João Oliveira, líder parlamentar do PCP, em entrevista ao jornal Observador, a 16 de novembro de 2017.

 

Terceiro ano: A ânsia por um bom resultado nas eleições

“Estamos com a geringonça no coração, mas também na nossa cabeça. Estamos com coração, mas também com humildade e sem duplicidade”. António Costa, em plenário, a 13 de julho de 2018

“Não sei se esta ‘Geringonça’ se dará por finda. Eu acho que a vida política implica uma disponibilidade constante para o diálogo e para a negociação”. Carlos César, líder parlamentar socialista, em entrevista à Agência Lusa, a 13 de setembro de 2018.

“Há razões para celebrar [os três anos do Governo]. Há para celebrar em primeiro lugar o rigor das contas públicas, fomos capazes de provar ao longo destes anos junto das instituições europeias e em Portugal que é possível diminuir a dívida pública e atingir o melhor défice da história democrática portuguesa sem cortar salários, sem cortar empregos e sem empobrecer o país”. Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS, em declarações à Agência Lusa, a 3 de novembro de 2018.

“Creio que as pessoas perceberam que não há contradição entre convergência e identidade. Os partidos não perderam a sua identidade, mas conseguiram convergir com aquilo que era essencial para acabar com o Governo de direita do PSD”. Marisa Matias, eurodeputada do BE, em declarações ao Jornal Económico, a 8 de novembro de 2018, referindo-se aos últimos três anos de Governo do PS, suportado pelos acordos à esquerda.

“O PS apresenta-se às eleições não concorrendo contra ninguém, mas apresentando aquilo que considera melhor para Portugal e para os portugueses. Achamos que a forma inteligente de construir boas soluções políticas não é estar a cavar linhas de combate com os nossos parceiros parlamentares, mas continuar a assegurar que há uma boa alternativa à direita que oferece ao país crescimento económico, mais e melhor emprego, menor desigualdade, contas certas e credibilidade internacional reposta”. António Costa, em entrevista à Agência Lusa, a 22 de novembro de 2018.

“[A ‘Geringonça’] contribuiu decisivamente para afirmar uma alternativa e para demonstrar que é possível governar de forma diferente, tendo melhores resultados.” António Costa, em conferência de imprensa, a 23 de novembro de 2018.

 


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