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Gisele Bundchen em guerra com o governo brasileiro

Embaixadora da boa vontade das Nações Unidas para o ambiente e muito crítica da política brasileira sobre a matéria, a ex-manequim está em guerra com a nova ministra da Agricultura.
18 Janeiro 2019, 09h33

Já se passaram alguns anos desde que a manequim brasileira Gisele Bundchen deixou os palcos que a tornaram famosa, mas uma propensão nem sempre existente entre as mulheres com aquela notável profissão para os negócios, mantiveram-na no topo da agenda mediática depois de sair de debaixo dos holofotes.

Em 2015 e com 34 anos, casada com a estrela do futebol americano Tom Brady e mão de dois filhos, Gisele Bundchen deixou a sua carreira depois de duas décadas de enorme sucesso. “O meu corpo disse-me que já era o suficiente”, explicou na altura e por muito que o resto do mundo duvidasse de semelhante afirmação, despediu-se do centro da fama com uma simples camisa branca, jeans e os olhos cheios de lágrimas.

Segundo os especialistas, Gisele foi talvez a última representante da essência do que foi a época de ouro da moda, quando os designers e as grandes casas de moda desembolsavam enormes somas de dinheiro para poderem contar com as melhores manequins por baixo das suas criações. Gisele liderou a lista das modelos mais bem pagas do mundo da revista ‘Forbes’ durante 15 anos consecutivos.

Longe das passarelas, a modelo não parou de trabalhar para as grandes empresas de cosméticos e da moda, ao mesmo tempo que gastava uma parte das suas receitas a financiar várias causas sociais, entre os quais a as que tinham a ver com o meio ambiente.

E foi neste ponto que a vida de Gisele voltou a direcionar-se para a ribalta. Segundo a imprensa brasileira, a nova ministra da Agricultura do Brasil, Tereza Cristina Dias, ofereceu à modelo o lugar de embaixadora do país para questões ecológicas. Bom, não foi bem uma oferta, foi mais uma espécie de crítica: a ministra queria com isto queixar-se das críticas que tem vindo a fazer à política florestal do país – que permite a desflorestação de parte do enorme pulmão global que é a Amazónia.

“Desculpe-me Gisele Bundchen, mas devia ser nossa embaixadora, dizendo que o seu país preserva a natureza, que o seu país está na vanguarda do mundo na preservação e que dizem coisas más sobre o Brasil sem o conhecimento dos fatos”, disse a ministra numa entrevista a uma rádio local. O alegado desconhecimento dos factos está explanado em centenas de vídeos a disposição de toda a gente onde se vê que a política de preservação da floresta brasileira é, no mínimo, sui generis: começa por permitir que as árvores sejam deitadas abaixo e depois, possivelmente, segue-se a preservação da madeira em local recolhido, não vá o vento, a chuva e as restantes intempéries dar cabo dela.

As críticas de Gisele surgiram porque, entre outras coisas, a ex-manequim é embaixadora da boa vontade para o ambiente das Nações Unidas, uma posição que a ‘obriga’ a lutar pela preservação da Amazónia. E não foram as primeiras: segundo a imprensa, Gisele conseguiu que uma lei do antigo presidente Michel Temer, que previa a diminuição da área reservada às tribos indígenas, acabasse por não avançar.

Imune às críticas do novo poder instalado no Palácio do Planalto, a modelo brasileira respondeu à ministra solicitando provas da boa-vontade do executivo em termos da preservação da floresta amazónica – o que com certeza será difícil, a não ser que Tereza Cristina Dias se dirija a um dos gabinetes ao lado, ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, para solicitar um milagre à sua colega Damares Alves.


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