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Roubini critica ‘Dia da Libertação’ e projeta recuo de Trump em breve

Se Trump “exagerar, teremos uma recessão este ano”, o que poderia criar uma situação complicada para o presidente e os seus planos para o futuro dos EUA. Como tal, a projeção base assume que Trump seja “racional e irá reduzir tensões”.
7 Abril 2025, 09h48

Os EUA estão a “brincar com o fogo” com a nova política de tarifas, que não beneficiará ninguém e arrisca criar menos crescimento com mais inflação, alerta o economista Nouriel Roubini. O ‘Dr. Catástrofe’, como ficou conhecido depois de ter previsto corretamente a crise financeira de 2008, acredita que Trump acabará por tomar a atitude “racional” e recuará desta estratégia, mas não sem antes causar ainda mais perdas nos mercados.

Numa publicação na rede social X, Roubini criticou a opção tomada por Trump, considerando “Orwelliano” apelidar o dia 2 de abril, quando foi feito o anúncio pelo presidente, de ‘Dia da Libertação’. Pelo contrário, a política de tarifas trará menos crescimento e mais inflação, embora a magnitude destas esteja dependente das negociações que daqui devem surgir.

Já num encontro entre economistas e líderes empresariais, Roubini colocou como cenário base um recuo dos EUA que cortaria as tarifas por metade, explicando que, caso Trump “seja racional, irá reduzir tensões”. A projeção passa por um crescimento entre 1% e 1,5% neste caso.

Ao mesmo tempo, o presidente norte-americano, conhecido pela sua postura negocial agressiva, não pode sinalizar já esse recuo ou “perde a sua vantagem”, argumentou.

No entanto, “se exagerar, teremos uma recessão este ano”, o que poderia criar uma situação complicada para Trump. “Se houver recessão este ano, ele perde as intercalares; se perder as intercalares, o seu plano MAGA de dominar os EUA para sempre fica destruído”, completou Roubini.

As bolsas norte-americanas tiveram nos dois dias após o anúncio de Trump as piores sessões desde a pandemia, com o S&P 500 a recuar perto de 10% e perdendo cerca de 5 biliões de dólares em valor de mercado. No médio-prazo, Roubini está otimista quanto ao mercado, dado o impacto de tecnologias como a inteligência artificial.

“Poderia ser o Rato Mickey no poder nos EUA – ainda assim, o país cresceria 4% até ao fim da década”, projetou.

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